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16 de dezembro de 2019 - 22:47
Cotidiano »
Crônica: Os olhos da alma
30/11/2019 às 13:19 | Simone Luiz Cândido
Diego Batista nasceu em 23 de outubro de 1986. Seus pais nem os médicos perceberam que ele havia nascido com deficiência visual descobriram quando ele já tinha cinco meses. A princípio não aceitavam o fato de o seu filho ter nascido cego. Procuraram vários médicos, pois eram pais zelosos. Todos deram o mesmo diagnóstico Diego não enxergaria.

Diego foi crescendo se adaptando a cada nova situação, eram muitos desafios aprender a se locomover conhecer sua casa. Aos poucos Diego foi aprendendo. E isso não era mais algo que representante medo ou insegurança. Sua mãe Elizabeti sempre o encorajou a ser independente. Diego Sempre conviveu com pessoas que não tinham deficiência visual brincava com os amigos normalmente, para ele sua vida era igual à de seus amigos. Aos 14 anos seu pai lhe deu uma bicicleta de presente. Raras vezes alguém demonstrava preconceito pelo fato de Diego ser cego.

Aos 24 anos Diego terminou o ensino médio, aprendeu braile e conheceu uma associação para cegos. Lá fez muitos amigos, ensinou o que sabia e também aprendeu com os outros. Inclusive a utilizar a bengala. Essa participação da associação foi de grande importância, lá conheceu sua esposa Janine também deficiente visual. A história de Janine é um pouco diferente ela ficou cega aos treze anos de idade por conta da esclerose múltipla. Surgiram grandes desafios na vida de Janine reaprender a viver sem ter a visão. Desafio esse superado com maestria. O casal tem dois filhos Jamile de nove anos e Everton de cinco anos.

Janine relata que a princípio quando nasceram às crianças foi um pouco difícil, depois o instinto materno fala mais alto. Diego e Janine costumam dizer que foi amor à primeira vista. Sim a visão não se resume apenas a um sentido e sim do ver a alma do outro e logo simpatizar um pelo outro.

O casal mora na cidade de Morro da Fumaça sua casa foi construída através de doações. Moram na casa o casal os dois filhos e uma tia de Janine. Os dois são independentes os filhos não são deficientes visuais. Diego e Janine realizam as atividades diárias normalmente é um grande exemplo de amor e de uma família que se ama muito.

Pessoas desinformadas não conhecendo a realidade de deficientes visuais assim chamados há muito tempo, quando os encontram costumam falar alto, se estão com outras pessoas se dirigem a quem está acompanhando. Diego relata que isso acontece muito no seu cotidiano. Alguns pais não deixam seus filhos serem independentes por medo, mas pessoas cegas são capazes de adaptarem-se as situações da vida. Elizabeti e Célio seus pais sempre incentivaram para que ele pudesse ser independente. Outros julgam deficiente visual por casar e ter filhos preocupa-se como cuidarão das crianças. Não percebem que são humanos e podem amar e terem uma família.

Hoje existem muitas facilidades para que cegos possam cozinhar. Existe forno de micro-ondas, chaleira elétrica, cafeteira, panela de arroz. Diego cozinha mesmo sendo cego. Os telefones celulares também tem acessibilidade. Cegos hoje em dia conseguem comunicar-se muito bem através do uso da internet. Diego realiza palestras gratuitamente em escolas, empresas sobre como é a vida de um deficiente visual dando seu exemplo.

Diego tem um canal no YouTube onde faz vídeos sobre sua vida cotidiana. Em um desses vídeos mostra como faz para atravessar uma ponte de arame na divisa de Nova Veneza com Forquilhinha atravessa utilizando a bengala e ainda filma a passagem pela ponte com celular. Muitos de nós que enxergamos inclusive eu, não temos coragem de atravessar esse tipo de ponte.

Diego e sua esposa Janine atravessaram muitas pontes do preconceito, do medo de que não pudessem ter uma família, mas com muito amor venceram, são felizes. Que cada um de nós abra seus olhos da alma para que com empatia possamos entender que todos somos humanos com deficiência ou não, viemos para esse planeta para cultivarmos o amor.

Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.
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