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10 de dezembro de 2018 - 15:34
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Crônica: Quais as pessoas que já podem perder sua utilidade?
07/12/2018 às 09:34 | Simone Luiz Cândido
Quantas vezes na vida são úteis aos outros. Começando por aqueles que estão mais próximos de nós. Pai, mãe, irmãos, amigos que tanto bem nos fazem.

Sentimo-nos felizes por nos fazerem tantas coisas, muitas delas dinheiro nenhum poderia pagar. Outras até tem certo valor material pessoas que costuram fazem nossas roupas sob medida. Admiramos aquela peça exclusiva feita exatamente como pensamos. O valor material muitas vezes é irrisório tendo em vista a alegria e satisfação que essa peça de roupa nos proporciona.

Quantas pessoas casam ou simplesmente vivem juntas, começam suas vidas do zero lutam juntos, cavam o poço juntos até obterem a água límpida. Até chegarem a esse ponto da água límpida quantos sacrifícios fizerem juntos, quantas renúncias tiveram que fazer para que no futuro pudessem ter uma vida mais tranquila. Às vezes cansados, sem forças para seguir continuaram até a realização de seus sonhos.

Algumas desses sonhos são chegadas de seus amados filhos, outros a casa ou apartamento. Tudo construído nos mínimos detalhes. Tanto trabalho para que tudo saísse como sempre sonharam. Eis que desses esforços surgem às casas dos sonhos onde muitas vezes acontecem festas, com pessoas especiais. Alegria toma conta de todos se comemora a vida.

Quantas pessoas são o ombro amigo nos ouvem mesmo naqueles dias que estamos tristes ou mal-humorados. Existem pessoas assim, nos amam nos suportam mesmo nesses dias difíceis. Até que ponto todas essas pessoas que nos são úteis podem perder sua utilidade? Sim a utilidade. Quando alguém não consegue mais costurar nossa roupa sob medida. Quando alguém teve alguma doença como Alzheimer e muitas vezes esquecem quem é. Nessas horas fica difícil se o amor verdadeiro ali não existir. Quantos podem se tornar inúteis para nós sem que nós os abandonemos?

Quantos passam pelo calvário de uma doença um câncer agressivo e não pode mais nos trazer os mesmos benefícios de outrora. Seus corpos fragilizados já não tem a mesma disposição de antes, tratamentos, radioterapia, quimioterapia entre outros remédios.
Ficar dias e até meses em um hospital e cadê aquela pessoa que costurava nossas roupas, que nos ouvia e entendia que lutava junto conosco para a realização de nossos sonhos? Essa pessoa perdeu sua utilidade aí restou apenas o que sentimos de verdade por ela.

Meu querido Primo Sérgio Cardoso Luiz tinha apenas 59 anos, numa manhã sentiu-se mal veio de moto para casa da mãe a minha tia Ivone, relatou dores no peito era um infarto. O SAMU foi acionado e dali foi para o hospital, e na esquina da casa da sua mãe entrou em coma e permaneceu por quase um ano.

Sérgio foi uma pessoa muito ativa, vivia sorrindo cozinhando para os netos, amava estar em família fazendo brincadeiras dando apoio àqueles que precisassem.E agora o que teria restado dele se não fosse o amor verdadeiro dos filhos, irmãos, netos primos e amigos. Sérgio foi muito amado nesse ano que passou no hospital recebeu muito amor e carinho. Mesmo que não os reconhecessem, eles os reconheciam como pai, namorado, tio, avô, filho, primo maravilhoso que foi. Sérgio partiu para eternidade com o amor verdadeiro de todos que estiveram junto dele o tempo em que ficou hospitalizado

Ah! O Amor esse que é tão necessário, só tem sentido se pudermos amar mesmo que o outro não nos traga benefício algum. Mesmo que o outro não possa mais fazer nada de útil para nós ainda assim possa dizer eu te amo, eu te admiro. Mesmo que o outro não me reconheça e ainda assim eu possa lembrar de todo bem que fez, de tudo que me ensinou durante sua trajetória.

Ah! Se os filhos soubessem o que é ser mãe e pai. São corações que batem fora do corpo. Queremos protegê-los criar uma redoma ao redor deles como quem cuida de uma joia rara. Envelhecemos aos poucos vamos perdendo nossas capacidades de trabalho, de fazermos coisas que sempre fizemos. Alguns infelizmente precisam de cuidados, sua utilidade chegou ao fim, aí vem o tal de Amor esse sim é capaz de fazer as pessoas entenderem que a utilidade passa o amor permanece seja nessa vida ou na eternidade.
Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.
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