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28 de março de 2020 - 20:52
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Crônica: Rosilene Lacerda e a importância da vacinação
01/02/2020 às 12:28 | Simone Luiz Cândido
Rosilene mais conhecida como Leninha nasceu no dia 8 de outubro de 1975 no interior de Laguna, no bairro Barranca. Seus pais Maria Rosa de Lacerda Pedro e Antônio Manoel Pedro trabalhavam como agricultores essa era a única fonte de renda da família. Plantavam e colhia para sua sobrevivência, uma parte era vendida para comprarem o que faltava. Além de Leninha tinham outros filhos Sandra, Rosa, Rosângela e Nair.
Leninha é a filha mais nova da família.

Ao fazer dez meses Leninha faria a vacina da Poliomielite o pessoal da saúde passaria na casa, pois era um lugar de difícil acesso. Seus pais não sendo esclarecidos sobre a importância da vacinação não ficaram em casa foram para roça trabalhar. Achavam que o sustento da família era mais importante que uma vacina. Acreditavam que poderiam fazer outro dia.

Certo dia Maria notou que Leninha estava diferente e suas pernas haviam se tornado frágeis à menina já não tinha a mesma mobilidade de antes. Desespero tomou conta, levou à menina em vários médicos fez três cirurgias, usou aparelhos na tentativa de poder caminhar foi tudo em vão.

Um dia de trabalho mudaria a vida de Leninha para sempre, a menina acostumou a engatinhar pela casa, assim ela locomovia-se. A família era muito pobre tinham poucos recursos não tinha uma cadeira de rodas. Não tendo a cadeira de rodas seus pais e irmãos deram um jeito de levar ela para passear, tinham uma carroça e esse era o veículo usado pela família.

Quando Leninha tinha cinco anos sua mãe Maria descobriu que estava com câncer, sua vida ficou ainda mais difícil, venderam as terras do interior de Laguna e foram morar em Criciúma próximo a uma irmã de Maria sua tia Nair. Sendo uma cidade maior teria mais recursos e um tratamento melhor. Na mesma época a irmã Rosa de vinte e dois anos descobriu que estava grávida e que também estava com câncer. Rosa e o bebê faleceram pouco tempo depois da descoberta do câncer. Foi uma notícia muito triste para a família a irmã deixou três filhos Glória nove anos, Rosinete seis anos e Rosinei com dois anos. O tratamento de Maria já durava sete anos um ano após a perda da filha e do neto Maria veio a falecer com cinquenta e quatro anos para a tristeza de todos.

A perda da mãe aos treze anos marcaria sua vida, aquela que sempre esteve ao seu lado partiria para sempre. Ficaram duas irmãs solteiras, Sandra e Nair e o pai Antônio, que aos poucos foi adoecendo e foi morar com a filha Rosângela em Imaruí. Nair casou Leninha ficou morando com a irmã Sandra foram momentos difíceis, muitas perdas, o pai foi morar com a irmã, a irmã Nair casou-se. A família que antes era completa agora teria que seguir rumos diferentes.

Um ano depois Leninha foi morar com a irmã Rosângela que era evangélica. Aos quinze anos se tornou evangélica da assembleia de Deus.
Tinha sonhos de ter uma casa, casar, e ser feliz muitos zombavam dizendo a ela nunca conseguiria, mas sua fé a fez acreditar nas promessas de Deus em sua vida.

Após oito anos mais uma vez uma tempestade chegaria à vida de Leninha sua irmã Rosângela faleceu de câncer com trinta e dois anos de vida. Deixando três filhos Eder de doze anos, Ezequiel de nove e a Elisângela de seis. Após a morte da irmã Leninha foi morar com o ex-cunhado Pedro que já havia se casado novamente ali viveu mais oito anos participando da igreja evangélica.

Foi então que começou a sentir dores abdominais, sua barriga estava muito inchada, moravam em Imaruí no interior e por falta de conhecimento não deram importância para isso.

A outra irmã Nair já casada voltou da Inglaterra e a levou para morar com ela em Criciúma. Nair e Joênio levaram em um médico e descobriram se tratar de tumores no útero, foi feita a cirurgia da retirada de quase cinco quilos. Angústia tomou conta de Leninha os médicos suspeitavam de câncer Leninha fez um propósito de fé pediu a Deus que não morresse igual sua mãe e suas irmãs, prometeu louvar e fazer sua vontade onde estivesse. Com a ajuda da irmã Nair e de Joênio recuperou-se.

Formou-se em teologia, gravou um CD de louvores chamado Faça mais pra Deus. Casou-se com Moacir Laranjeira e hoje faz pregações nas igrejas da região, além de cantar hinos de louvor. Seus sonhos se realizaram sua trajetória foi difícil, mas com a ajuda de familiares e amigos tornou-se um pouco mais leve.

Leninha Lacerda é minha prima, muitos de nós participamos de sua vida e de sua infância, meus primos Júlio e Tita, filhos da Tia Nair Lacerda e do tio Joaquim em especial, onde ela viveu por bastante tempo. Tia Nair que foi incansável em dedicar tempo e amor às sobrinhas, cunhado e irmã.

Hoje somos felizes em ver que Leninha venceu todos esses obstáculos com essa história de vida. Levo a refletirmos a importância da vacinação de nossas crianças. Pais mães tios, padrinhos e amigos incentivem a vacinação assim poderemos evitar muitas doenças.

Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.
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