Canal Içara

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10 de dezembro de 2018 - 15:55
Cotidiano »
Divas de verdade em crônica
30/11/2018 às 11:01 | Simone Luiz Cândido
O que é diva? Diva mulher brilhante, diferente incomum, perfumada, bonita sexy, inteligente...

Seriam esses atributos referentes a uma "Diva" que muito se fala hoje em dia. Pra conseguir ter todos esses atributos? Com toda certeza é preciso que se tenha um pouco de dinheiro para se tornar essa tal "Diva". Linda, perfumada e sexy.

Como ser tudo isso apenas com pouquíssimas condições financeiras? Há quem "pregue" que é possível ser tudo isso mesmo que não se tenha o mínimo de condições para sobreviver.

Num tempo não muito distante de 2018 nascia uma mulher chamada Fátima. Nasceu em 1936 família simples com nove filhos. Tinham pouquíssimos recursos para a sobrevivência. Ia para escola com pés no chão assim ela descrevia. Geada nos pastos por onde passava.

Aprendeu a ler e escrever fazia cálculos como ninguém. Estudou apenas até o segundo ano que naquele tempo se chamava primário. Cadernos nem tinha como comprar escrevia no papel de embrulhar pães ou outras compras da venda de perto de casa.

Assim cresceu, o arroz tinha que pilar no pilão com as mãos cheias de calos. Sabão para lavar as roupas era feito num tacho de ferro. Muito trabalho na roça ajudando a mãe; os mais velhos ajudavam a cuidar dos irmãos menores.

A mãe dona Rosa muitas vezes mal podia cuidar dos afazeres, pois estava doente com muitas dores. Tantos sacrifícios sem energia elétrica, sem banheiro em casa. Cadê as Divas dessa história real? Cadê o dinheiro para comprar no mínimo um sabonete para poder tomar um banho descente? Simplesmente não tinham essa possibilidade usavam mesmo sabão feito no tacho, cozido com lenha feito fogo em baixo, com pés de tijolos ou pedras que encontrassem onde moravam.

Fátima e suas irmãs tinham uma vida muito difícil, sua mãe dona Rosa também, para comprar um tecido e fazer uma roupa nova era muito difícil.

Andavam a pé tiravam os calçados pra não estragar chegavam a Içara pediam pra lavar os pés em uma casa perto da igreja, assim seguiam iam festas de igreja faziam amizades namoravam e casaram.

Fátima casou continuou sua vida ficou grávida do seu primeiro filho que faleceu no hospital logo depois parto. Depois disso nasceu a filha mais velha Rosa. Alguns anos depois o filho João, Ana, Simone e por último a Rosilene. Foi morar em um bairro chamado São José em Criciúma. Lugar com muitas dificuldades faltava água direto. Ás vezes pra poder lavar as louças aparava água da chuva nas panelas e baldes.

A casa não tinha banheiro, era muito simples ela continuava fazendo o tal sabão. Os cabelos das meninas eram bem curtos não tinha creme pra lavar, nem shampoo, tudo muito simples ela se virava cozinhando fazendo o pão pros filhos.

Cuidava de cada um deles com muito amor. Esquecia-se de si mesma para cuidar dos filhos. E a "Diva" onde foi parar? Sim ela foi uma grande "Diva" mulher com um diferencial amou cuidou deixava de comprar coisas para ela para poder dar pros filhos.

Participava do clube de mães ganhava um tecido fazia dois vestidos pras meninas, sempre dava um jeito. Cada vez era uma das meninas a contemplada.

Trabalhou muito em casa o marido Luiz era mineiro deram o sangue pelos filhos. Ensinou a terem fé em Deus a fazerem o bem, visitarem as pessoas idosas e doentes. Darem amor serem caridosos com os outros.

“Essa realmente é uma “Diva” perfeita. Não tinha condições financeiras para muitas coisas materiais, mas amou cada um que por sua vida passou. Deixou rastros de amor aos filhos e netos. Amigos e parentes.

Quisera ser também tão "Diva" quanto ela, mais que uma bela aparência, com roupas sapatos de grifes, vale a essência que podemos ter.

Essência essa que podemos melhorar a cada dia. Não existe nada de grife que possa mudar o interior de uma pessoa. Não é verdade que as verdadeiras "Divas" usam roupas de grife maquiagem ou salto alto, muito menos precisam ter corpos esculturais.

Fátima não usou roupas de grife nem saltos, mas viveu intensamente todos os quase 65 anos que ficou na terra. Deixa um legado de amor ,de que ,se você plantar algo e vier a partir daqui da terra deixará para os que ficarem depois de você. Sim ela plantou muitas sementes algumas de árvores frutíferas outras de amor, fé otimismo.

Quando ouvirmos algo sobre sermos "Divas" tentemos colocar nossos pensamentos no que realmente é possível. Falar é fácil ter condições para viver dessa forma é outra conversa muito diferente da realidade.

Olhemos ao nosso redor são tantas "Divas" mulheres que lutam para sobreviverem em meio a tantas dificuldades da vida. Muitas não têm nem o básico quanto mais o perfume ou algo de muito valor material.

Somos mulheres sim cada uma no lugar onde vive fazendo a diferença no mundo “Diva” sim com roupas de grife ou simplesmente com nossas almas eternas que transmitem nosso amor verdadeiro. Dedico esse humilde relato a minha mãe Fátima Lacerda que soube ser uma "Diva " de verdade.
Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.
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