Canal Içara

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24 de agosto de 2019 - 13:04
Cotidiano »
Hoje é um lindo dia para resgatar o amor-próprio
12/04/2019 às 09:41 | Simone Luiz Cândido
Era apenas uma menina e aos quinze anos começara a ter gosto por maquiagens, arrumar os cabelos, aprender sobre depilação. Algumas coisas muito interessantes a faziam sentirem-se mais bonita.

Olhava-se no espelho penteia seus cabelos, coloca cremes para finalizar o penteado, havia comprado alguns batons cores claras, pois sua mãe não gostava que ela usasse cores extravagantes.

Seus cabelos ainda com corte um pouco curto, sua mãe nunca a deixara com cabelos longos, olhou em uma novela uma atriz que lhe chamou atenção, pensou consigo se deixar meus cabelos crescerem ficarei com os cabelos iguais aos dela.

Algum tempo depois seus cabelos haviam crescido, sim ficaram muito parecidos com os da atriz da tal novela.

Mudanças em seu corpo de menina a faziam ficar um pouco tímida, alguns olhares de garotos para ela, pois estava se tornando uma mulher.

Alguns desafios a atormentavam, a tal depilação, certa feita foi usar lâmina para se depilar, cortou-se. Pensou nossa isso é difícil demais. Preferia ser menina brincar com as poucas bonecas. Tornar-se mulher não era tarefa fácil.

Aos poucos ela foi descobrindo sobre depilação, tipos de cera, quente, fria, rolon, papéis de entretela, talco para que a cera pudesse colar nos dias quentes. Assim ela foi montando seu arsenal depilatório. A princípio ela chorava cada vez que tinha que fazer a tal depilação. Depois tirou de letra e o tal sacrifício da depilação havia se tornado algo bom, pois assim ela sentia-se bonita.

Aprendeu a fazer suas unhas e nos fins de semana era sagrado todo sábado lá pelas quatro da tarde pegava seu kit de unhas. Unhas feitas depilação em dia. Estava pronta para sair de casa se sentindo bem consigo mesma. Não tinha roupas de marca nem estilosas. Cuidava-se e lá ia ela sexta e domingos nas baladas e assim se divertia.

Alguns anos depois encontrou alguém especial casou-se aumentaram as tarefas árduas de casa, ela já não tinha o mesmo tempo disponível de antes, esquecera um pouco de si.

A menina de quinze anos já tinha seus vinte e poucos anos crescera, mas em algum tempo perdeu-se, tornou-se outra. Cansada das novas tarefas além de trabalhar fora chegar a casa fim do dia.

Roupas, alimento para cozinhar, nossa e agora? As unhas dos sábados foram substituídas por outras tarefas que ela não conseguia terminar até às quatro da tarde. Entre descansar e fazer as unhas ela trocou por descansar.

Foi percebendo que se havia perdido da menina de quinze anos animada cheia de amor-próprio, embora ela nunca descuidasse de si mesma ou se tratasse com desleixo.

Alguns anos após o casamento vieram os filhos e o cansaço, além das dores que ela já tinha causadas pelas tendinites do trabalho em confecções. Ela precisava escolher se cuidava mais das crianças ou dela mesma. Por amor ela foi se tornando simplesmente mãe e esposa deixou de si mesma, cuidava-se a prestação.

Coloria os cabelos, pois isso é o mínimo que ela poderia fazer para manter-se bem consigo mesma. Comprava alguns cremes corporais, cuidava dos cabelos, fazia depilação e a essa altura havia se tornado expert nunca mais chorou agora isso é um motivo para que se sinta bem.

Quantas de nós mulheres vamos deixando o amor-próprio de lado? Pelo cansaço das tarefas diárias, por alguma doença que nos atinge, Muitas mulheres estão em tratamento contra o câncer, além dos tratamentos dolorosos, que lhes maltratam, perdem os cabelos, a vontade de viver.

Não sou do tipo de mulher que acredita que todos os dias deveram estar lindas maquiadas, o tempo todo sorrindo com roupas novas e chiquérrimas.

Mas precisamos sim olhar para nós mesmas, com o mesmo olhar da descoberta dessa menina de quinze anos que foi se perdendo com o tempo.

Os nossos companheiros de jornada também podem e devem nos ajudar nas tarefas diárias. Elogiar ajudar essa mulher a continuar amando-se, cuidando-se, quando uma mulher está ao lado de alguém que a elogia, seja apenas um amigo, ou marido, namorado. Essa mulher consegue sim tornar-se uma mulher bela com autoestima alta amando-se do jeito que ela é.

Esse cuidar-se se torna algo prazeroso quando nos sentimos amadas e acolhidas, não necessariamente precisamos ter alguém ao nosso lado, nós podemos ajudar umas as outras a nos valorizarmos. Elogiarmos outras mulheres só nos fará bem.

Se ainda pudermos incentivar a cuidar-se então teremos um mundo próximo de nós com mulheres felizes sentindo-se plenas.

Se eu não posso usar, por exemplo, maquiagens e cosméticos de marcas famosas hoje têm muitas possibilidades, existem lojas que vendem bons produtos e que fazem o mesmo que produtos de marca.

O importante é que cada uma de nós independente de como somos tenhamos amor por nós, àquelas mulheres que estão em tratamento de alguma doença podem sim e devem ser incentivadas a amar-se, por que não usarmos maquiagem? Precisamos nos ajudar, assim formaremos uma corrente de amor entre nós.

E quanto a nós mães, esposas trabalhadoras, simplesmente mulheres com dores aflições angústias, muitos dias difíceis, que tal tirarmos um tempo para nós?

Ainda é tempo para mudarmos, podemos resgatar a menina cheia de amor-próprio cheia de sonhos. Somos mulheres que podem e devem sentir-se lindas. Todo dia é dia para mudanças e hoje é um lindo dia.
Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.
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