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20 de abril de 2018 - 15:24
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Opinião: Crianças bem sucedidas
06/01/2018 às 11:00 | Leitor Mario Eugenio Saturno*
Pesquisadores da Universidade de Michigan, da Pontifícia Universidade Católica do Chile e do grupo “Independent Scholar” para correlacionar autoconceito e avaliações padronizadas de resultados acadêmicos. Para isso, utilizaram dados dos Estados Unidos da América e do Reino Unido. Como definição de autoconceito, ou seja, as crenças cognitivas que as pessoas têm sobre si mesmas, para este estudo, é entendido como: os estudantes percebem suas capacidades para ter sucesso em tarefas acadêmicas.

A pesquisa envolveu jovens com idades entre 5 a 18 anos, sendo 13.901 crianças britânicas do estudo longitudinal Avon de Pais e Filhos, 1.354 crianças norte-americanas do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano e 237 crianças americanas do Painel de Estudo de Dinâmica do Rendimento e Suplemento de Desenvolvimento Infantil. O estudo considerou o sucesso anterior da criança, suas características e antecedentes, incluindo peso ao nascer: raça ou etnia, gênero, idade e educação materna.

Os pesquisadores descobriram que o autoconceito das crianças sobre a sua habilidade em matemática foi determinante para o sucesso posterior em matemática. Da mesma forma, seu próprio conceito de sua habilidade na leitura previu seu êxito na leitura posterior. O resultado sugere que os links entre autoconceito de habilidade e a conquista posterior são determinantes.

O estudo também mostrou que o sucesso não se limitava aos melhores alunos. Mesmo no grupo de alunos com menor desempenho, os que tiveram uma visão mais positiva de suas habilidades de matemática e leitura foram melhores. Isso nos mostra que tão importante quanto ter um professor de boa qualidade é ter um professor que faça seus alunos acreditarem que podem ter sucesso em matemática e leitura, para que realmente suas chances de conseguir melhores resultados.

Em outra pesquisa, o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan estabeleceu uma relação entre o comportamento antissocial e o fracasso no trabalho. Em geral, os estudos de pesquisa sobre conquistas socioeconômicas se concentram na capacidade cognitiva e no desempenho educacional como fatores fundamentais, mas recentemente os pesquisadores começaram a explorar fatores não cognitivos, como saúde mental, problemas comportamentais e traços de personalidade, e como eles desempenham um papel importante no desempenho acadêmico e no trabalho.

A pesquisa usou dados do Estudo Longitudinal de Personalidade e Desenvolvimento Social de indivíduos entre as idades de 8 a 50, da cidade Jyväskylä, no centro da Finlândia. A região, que é étnica e socioeconomicamente homogênea, fornece um cenário valioso para cientistas sociais estudar como os traços de personalidade influenciam a vida das pessoas.

Os pesquisadores examinaram os dados de 369 pessoas, seguindo-as aos 8, 14, 27, 36, 42 e 50 anos. As pessoas que demonstram comportamentos antissociais, como ser agressivo, hiperativo e ter problemas na escola, tendem a sofrer desemprego crônico, pobreza persistente, e sofrer uma morte prematura. Professores e autoridades têm mais um fator para trabalhar e formar cidadãos melhores.

*Mario Eugenio Saturno é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.
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