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20 de abril de 2018 - 15:19
Cotidiano »
Quando o amor pode complicar a vida dos filhos
05/04/2018 às 08:58 | Thais Vilas Boas - thais.vilas@canalicara.com
Crianças com deficiência precisam constantemente lidar com limites próprios e superar obstáculos. Normalmente são submetidas desde muito cedo a um tratamento reabilitador com uma equipe multidisciplinar, composta, geralmente, por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, médicos e pedagogos. Mas verdadeiramente quem mais lida com essas crianças são os pais e a família.

No contato com profissionais da saúde e da educação a família passa a receber orientações quanto aos cuidados necessários. Mas o primeiro impacto ao saber que o filho precisará lidar com alguma deficiência é de fato um grande choque emocional extremamente significante e sentimentos dolorosos que podem ser comparado ao luto. É indicado que os pais recebam apoio terapêutico nesse momento, entretanto, isso nem sempre acontece e os prejuízos aparecem em seguida.

O medo e a insegurança para lidar com a deficiência do filho gera nos pais o desejo de querer evitar, a todo custo, que o filho viva situações que vão deixá-lo triste ou vulnerável. E é aí que a superproteção aparece, misturando a identidade dos pais ou cuidadores com a identidade do filho deficiente e gerando dependência emocional mútua e prejuízos. A superproteção traz consequências negativas que podem impedir que as crianças amadureçam e desenvolvam. Além disso, ameaçam ainda mais a autoestima, obtendo o efeito oposto ao desejado.

Esse comportamento pode acabar gerando estresse nos filhos e nos pais em vez de aliviá-los e de maneira alguma garante a felicidade de ambos. Pais superprotetores podem limitar mais o filho do que a própria deficiência e ambos podem sofrer de ansiedade e depressão por conta disso. A criança deficiente possui limitações sim! Mas também possui valor e capacidades que às vezes são diferentes e limitadas, mas estão presentes. E para descobrir isso a criança precisará de espaço e apoio.

As respostas e soluções nem sempre estão nos pais e as crianças precisam experimentar suas próprias competências e limitações .E os pais precisam abrir mão da superproteção para que isso seja possível de forma saudável. É bom lembrar que todo cuidador precisa de cuidados também e a terapia é uma boa alternativa pra isso.
*Thais Vilas Boas é formada em Psicologia e coordenadora do Projeto Amadas.
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