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Economia | 09/03/2026 | 08:30

Andreia Limas: A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025

PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com avanço real de 1,9% em comparação ao ano anterior

Especial de Andreia Limas

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O IBGE divulgou, na última semana, o PIB brasileiro de 2025, que apontou crescimento de 2,3% frente a 2024. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 12,7 trilhões, enquanto o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com avanço real de 1,9% em comparação ao ano anterior.

A taxa de investimento no país foi de 16,8% do PIB, contra 16,9% em 2024. A taxa de poupança, por sua vez, ficou em 14,4% em 2025, ante 14,1% em 2024.

Mas a pergunta de milhões é: dá para comemorar esse crescimento da economia?

Maior em 2024

É bem verdade que o PIB 2024 teve um crescimento anual maior, de 3,4% em relação a 2023, movimentando R$ 11,7 trilhões. Mas entendo que o desempenho da economia brasileira ao longo de 2025 deve ser comemorado, principalmente se levarmos em conta a manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados, o que impacta diretamente o consumo e os investimentos.

Também devemos considerar o cenário internacional, seus conflitos geopolíticos e, é bom lembrar, os arroubos da maior economia do mundo, os Estados Unidos, que em 2025 aplicaram ao Brasil o famigerado (e inútil) tarifaço, medida tomada também contra outros países.

Cenário internacional

Falando em EUA, a economia do país liderado por Donald Trump cresceu 2,2% em 2025, desacelerando em relação aos 2,8% de 2024, com destaque para um crescimento firme impulsionado pelo consumo e inteligência artificial, mas que não saiu ileso a uma paralisação do governo e às barreiras comerciais.

Se as taxas de crescimento de Brasil e Estados Unidos foram semelhantes, as economias da Zona do Euro e da União Europeia tiveram um desempenho mais modesto, registrando uma recuperação frente ao ano anterior, é verdade, mas com crescimentos confirmados de 1,4% e 1,5%, respetivamente. A aceleração foi impulsionada por um consumo resiliente e investimentos superiores ao esperado.

China

Maior parceiro comercial do Brasil, a China registrou crescimento de 5% no ano passado, atingindo a meta oficial definida pelo governo, superando 140 trilhões de yuans.

Esse desempenho foi impulsionado por um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, forte produção industrial (especialmente em veículos elétricos) e estímulos à demanda interna, apesar de pressões deflacionárias e desafios no setor imobiliário. E não é de hoje que a China lidera o crescimento econômico no mundo.

Comércio exterior

Vale ressaltar que a China é o principal destino das exportações brasileiras – destacando-se soja, minério de ferro e petróleo – e uma das principais origens de importações, com um fluxo comercial que ultrapassa os US$ 150 bilhões anuais.

O país é um grande consumidor de produtos do agronegócio brasileiro, o que explica em boa parte o desempenho da agropecuária no ano passado, com crescimento de 11,7% frente ao ano anterior.

A variação em volume do Valor Adicionado da agropecuária em 2025 decorreu, principalmente, do crescimento da produção e da produtividade na agricultura. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, várias culturas registraram crescimento de produção, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram produções recordes na série histórica.

Indústria

O impacto também é perceptível na indústria (crescimento geral de 1,4%), setor em que o destaque positivo foram as indústrias extrativas (8,6%) devido ao crescimento da extração de petróleo e gás.

Demais setores

A economia brasileira registrou, ainda, crescimento de 0,5% na construção e de 1,8% nos serviços (considerando o aumento de 1,1% no comércio).

Consumo

Os dados da economia em 2025 também mostram que o consumo das famílias cresceu 1,3% em relação ao ano anterior, puxado pela melhora no mercado de trabalho, pelo aumento do crédito e pelos programas governamentais de transferência de renda, como o Bolsa Família.

Entretanto, essa taxa representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 2024 (5,1%) devido, principalmente, aos efeitos da política monetária, mantendo os juros altos para conter a inflação.

De olho

Em relação a isso, vamos ficar de olho em dois movimentos importantes nos próximos dias: nesta quinta-feira, o IBGE divulga a inflação de fevereiro – em janeiro, o IPCA ficou em 0,33%, e na próxima semana ocorre a reunião do Copom, para tratar da taxa básica de juros.