Economia | 20/04/2026 | 11:33
Andreia Limas: O Pix nosso de cada dia
Lançado em 2020, sistema de pagamento caiu nas graças dos brasileiros, já movimentou trilhões de reais e virou alvo dos EUA. Você já se perguntou por quê?
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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Confesso que no início achei que a história não estava bem contada. Um serviço bancário sem custo para o usuário e que funcionava bem, desenvolvido no Brasil, onde os bancos estão entre as empresas que mais lucram historicamente?
Era uma desconfiança justa e, para ser dissipada, precisava de algum tempo em funcionamento, comprovando não ser mais uma pegadinha do mercado.
Daí o tempo que levei para me render e também criar a minha chave. Hoje, o Pix faz parte do meu dia a dia, para comprar, pagar e receber, assim como imagino esteja presente na sua, leitor.
Serviços
É claro que não se trata de uma filantropia dos bancos e sim uma necessidade de mercado, que logo gerou outros serviços (bem) remunerados, á medida em que novas funcionalidades foram surgindo, como a possibilidade de parcelamento, com polpudas taxas de juros cobradas do usuário.
Números
O sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, que permite transferir dinheiro entre contas em segundos, a qualquer hora e dia, seja qual for o dia da semana, foi lançado em 2020 e, desde então, vem sendo aprimorado e tendo o alcance ampliado.
Tanto que mais de 170 milhões de pessoas físicas, o equivalente a 80% da população, já fizeram alguma operação via Pix. Somente em janeiro deste ano, foram mais de 7 bilhões de transações realizadas.
Em outubro de 2025, o volume movimentado passou de R$ 3 trilhões, representando três vezes o montante do PIB mensal. O recorde de transações em um único dia ocorreu em 5 de dezembro do ano passado, quando foram realizadas nada menos que 313,3 milhões de operações. Os dados são do BC.
Vantagens
Não é difícil explicar tamanho engajamento: o Pix é rápido, prático e pode ser usado a partir de contas corrente, poupança ou pré-pagas.
O dinheiro cai na conta em poucos segundos, o serviço está disponível 24 horas por dia, 7 dias da semana, operá-lo é simples e intuitivo, é gratuito para pessoas físicas e tem custo baixo para empresas, é oferecido por vários tipos de instituições, pode ser usado para diferentes situações e tipos de pagamento.
A funcionalidade mais recente a ser integrada é o Pix Automático, com o qual o usuário pode autorizar o pagamento automático de suas contas recorrentes, uma espécie de débito automático simplificado.
Segurança
Embora o Banco Central tenha desenvolvido também um sistema de segurança robusto, esse ainda é um ponto fraco do Pix. Mais por conta da cultura de “levar vantagem em tudo” do que especificamente desse tipo de transação.
Infelizmente, nem toda a criatividade brasileira é usada para o bem. Antes mesmo da criação oficial do Pix, criminosos já haviam desenvolvido o “golpe do Pix”. Com as operações em curso, não eram raros (e ainda ocorrem) os comprovantes de transações falsificados.
Na tentativa de desestimular as fraudes, o BC criou um sistema que permite o bloqueio e a devolução de valores transferidos. No entanto, os golpistas usam o próprio sistema para o cometimento do crime.
Precauções
Se os golpes são aperfeiçoados junto com o sistema, a principal dica para um Pix seguro é tomar todas as precauções necessárias em cada operação. Caso haja desconfiança ou dúvida sobre uma transação, recorra aos canais de atendimento da sua instituição financeira para buscar orientações.
Sucesso
Mesmo enfrentando desafios, o Pix é um sucesso que se consolida a cada dia, como demonstram os números do BC. Pesquisas de mercado também confirmam o que presenciamos no dia a dia: o sistema já substituiu o dinheiro em espécie e o cartão de crédito como forma de pagamento no país – no e-commerce, as projeções mostram que deva responder por 50% das transações até 2028. O sistema, inclusive, já é aceito em outros países.
Briga
Mas é claro que todo esse sucesso incomoda e o Pix virou alvo do governo dos EUA, que abriu investigação contra o Brasil, com foco no sistema e em práticas comerciais. A alegação é de que o país favorece o Pix, em detrimento do cartão de crédito, acertando em cheio empresas norte-americanas.
Esse temor não está somente no prejuízo que as transações brasileiras possam causar às empresas de cartão de crédito, mas em especial na redução de mercado para essas organizações se o Pix for replicado em outros países. Alguns já mostraram interesse em adotar um sistema de pagamento semelhante tendo como case bem-sucedido a invenção brasileira. Vamos ver até onde vai essa briga.
De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho nas Estatísticas do Setor Externo, que serão divulgadas pelo BC. No relatório anterior, os dados de Investimento Estrangeiro Direto mostraram superávit de US$ 6,75 bilhões.





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