Economia | 23/03/2026 | 13:35
Andreia Limas: O que nós temos a ver com o preço do diesel?
Disparada no preço do combustível gera um efeito cascata, que acaba refletindo no bolso do consumidor final
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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Do ponto de vista econômico, março não começou bem. Mesmo muito distante do Oriente Médio e de seus conflitos, o Brasil acusou o golpe pela guerra: a disparada do preço do petróleo no mercado global elevou o preço dos combustíveis no país, sobretudo, do diesel.
Se nesse momento você está se perguntando o que tem a ver com isso, se não trabalha com transporte nem precisa do diesel no seu dia a dia, saiba que esse assunto interessa a todos nós, pelo efeito cascata gerado na economia.
E isso nem é muito difícil de explicar. O Brasil tem como principal modal de transporte o rodoviário, que utiliza o diesel. Com a alta no combustível, inevitavelmente o reajuste é passado para o preço do frete e, por consequência, dos produtos que circulam pelo país até chegar aos pontos de venda ao consumidor final: nós.
Dados
Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) revelam que a alta nos preços do diesel ganhou tração e passou a impactar severamente a economia nacional. O estudo, baseado na análise de aproximadamente 192 mil notas fiscais eletrônicas, mostra que o combustível é o principal vetor dessa pressão.
Se na primeira semana de março o diesel S10 já registrava alta de 8,70%, os números até o dia 16 mostram que o percentual praticamente dobrou, atingindo 19,71% no diesel S10 comum.
Em regiões como o Centro-Oeste e Nordeste, o aumento já ultrapassou a casa dos 20%, evidenciando um movimento disseminado que afeta diretamente o custo logístico do país.
Medidas
O IBPT aponta que, mesmo com a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel e as ações de monitoramento do governo, os preços continuam em trajetória ascendente, uma vez que o reajuste de R$ 0,38 por litro promovido pela Petrobras teve um peso maior do que a desoneração tributária.
O governo federal também pediu o apoio dos estados, para a redução do ICMS. Mas isso não ocorreu e, segundo analistas, mesmo que aconteça poderá ter pouco efeito prático.
Frete
Diante desse cenário, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os valores dos pisos mínimos de frete do transporte rodoviário de cargas. A legislação determina que a tabela seja reajustada sempre que ocorrer oscilação superior a 5% no valor do combustível, para baixo ou para cima, mecanismo conhecido como gatilho.
Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), considerando o preço final do diesel S10 nas bombas entre 8 e 14 de março, o preço médio do combustível ao consumidor ficou em R$ 6,89 por litro.
O valor representa uma variação acumulada de 13,32% em relação ao último reajuste da tabela de frete, quando o valor de referência adotado foi de R$ 6,08 por litro.
Greve
O governo federal também publicou uma medida provisória para forçar o cumprimento da tabela mínima de frete.
As medidas vieram em meio à possibilidade de uma greve dos caminhoneiros. A paralisação não se efetivou, mas a categoria mantém o estado de greve e deve negociar outras medidas com o governo federal nesta semana.
Gasolina e álcool
Conforme o IBPT), a gasolina também segue o movimento de alta, mas em menor intensidade. A gasolina comum passou de 2,06% na primeira semana para 5,24% até o dia 16.
Já o etanol demonstrou estabilidade e um leve descolamento dos combustíveis fósseis, com uma pequena queda acumulada de 0,67%.
Inflação
Com tamanha repercussão sobre os preços, ninguém imagina que o aumento do diesel não vá refletir na inflação de março, que conheceremos em 10 de abril, data prevista para a divulgação pelo IBGE. Resta torcer para o impacto ser o menor possível.
Redução
A crise ocorre justamente em um momento no qual se esperava a diminuição gradativa da taxa básica de juros, esperança renovada a partir da redução de 0,25% decidida pelo Copom na reunião da semana passada, que levou a Selic para 14,75% ao ano.
Em nota, o Copom considerou que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta, estabelecida em 3% para 2026, com teto de 4,5%. E reconheceu que os juros em patamares elevados contribuíram para a desaceleração na atividade econômica no ano passado.
A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 28 e 29 de abril.
De olho
Nesta semana, vamos continuar acompanhando os desdobramentos do aumento do diesel, tanto na esfera econômica quanto na política.





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