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Economia | 29/06/2026 | 12:25

Andreia Limas: Qual o espaço dos jovens no mercado de trabalho?

Fatia da população com idades entre 14 e 24 anos se divide entre os estudos e o trabalho

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou um estudo interessante sobre os jovens no mercado de trabalho, traçando o cenário nacional para a população com idades entre 14 e 24 anos em relação aos estudos e ao trabalho.

Infelizmente, o levantamento não nos permite um recorte municipal, o que seria muito relevante, levando-se em conta as diferentes características regionais do país. E em muitos aspectos Santa Catarina apresenta uma realidade bastante diferente da registrada em outros estados.

De qualquer forma, os dados do MTE nos fornecem uma boa ideia do que ocorre Brasil afora. Mas, antes de falar deles, vamos tentar aproximá-los da nossa realidade.

Participação
Conforme dados do Censo Demográfico, a população de Içara em 2022 era de 59.035 habitantes, sendo 8.136 pessoas com idades entre 15 e 24 anos, o equivalente a 13,78% do total. A estimativa populacional de 2025, a mais recente divulgada pelo IBGE, aponta 63.489 moradores no município, mas não detalha por faixa etária. Mantida a participação, a cidade teria, então, 8.749 jovens nessa faixa etária.

Censo escolar
Já o Censo Escolar de 2025 mostra que havia 12.792 estudantes matriculados em Içara no ano passado. Desse total, 1.903 no ensino médio, que abrange essa faixa etária, além de 203 na educação profissional e 148 na educação de jovens e adultos.

Formalização
Em relação ao trabalho formal, de acordo com a RAIS, Içara tinha 504 jovens de até 17 anos com vínculo empregatício em 2025, todos no setor privado, com remuneração média de R$ 1.386,15. O maior contingente deles estava no comércio (250), mas também na indústria (195), nos serviços (40), na construção (17) e na agropecuária (2).

Na faixa etária dos 18 aos 24 anos, 3.621 possuíam contratos de trabalho, sendo 3.582 celetistas e 39 estatutários (contratações do poder público, regidas por estatuto ou lei própria), com remuneração média de R$ 2.903,66. A maior parte (1.410) estava empregada na indústria, seguida de perto pelo comércio 1.273. Nos serviços, eram 758, incluindo os 39 estatutários, diante de 146 na construção e 34 na agropecuária.

Cenário nacional
A pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego mostrou que 57,2% dos jovens entre 14 e 24 anos estão em empregos formais no país. O estudo anual “Os Jovens no Brasil – Permanências e necessidades de mudança” foi elaborado com dados do primeiro trimestre de 2026 da PNAD Contínua (com dados ajustados), complementados por registros da RAIS e do eSocial.

O diagnóstico apresenta um retrato dos 32,9 milhões de brasileiros nessa faixa etária, que representam 15,4% da população do país.

Ocupação
O número de jovens ocupados é de 13,9 milhões, com 8 milhões trabalhando com carteira assinada, de acordo com a RAIS/2025.

Em comparação a períodos anteriores, a taxa de informalidade recuou nas duas faixas etárias analisadas. Caiu de 80% para 72,8% entre os jovens de 14 a 17 anos e de 44,3% para 39,4% entre os de 18 a 24 anos, no primeiro trimestre de 2026.

Os números de desocupados e subocupados também recuaram e estão entre os menores patamares da série histórica iniciada em 2012. Entre os desocupados, 2,7 milhões têm entre 18 e 24 anos e 586 mil têm de 14 a 17 anos.

Desemprego
Os dados também mostram que a taxa de desemprego entre os jovens caiu pela metade desde o pico registrado em 2021. Na faixa dos 14 aos 17 anos, a taxa está em 25,1% e, entre os jovens de 18 a 24 anos, em 13,8%. No entanto, o índice continua mais que o dobro da média nacional, que é de 5,8% para a população economicamente ativa.

Nem-nem
No mesmo período, observou-se que o grupo de jovens que apenas estudam (na escola ou na faculdade) é de 12,8 milhões (39%). Os que somente trabalham são 9,6 milhões (29,1%) e 4,3 milhões (13,2%) estudam e trabalham. Já os chamados “nem-nem” (que não estudam nem trabalham) somam 6,2 milhões (18,7%).

De acordo com os responsáveis pela pesquisa, a maioria dos jovens que integram o grupo “nem-nem” são meninas com filhos pequenos.

Educação
Os jovens estão mais escolarizados e têm como credencial mínima o diploma, que funciona como porta de entrada no mercado de trabalho, mas a maioria ainda está em ocupações generalistas. A pesquisa mostrou que 73% têm ao menos o ensino médio; 2,3 milhões frequentam o ensino superior e 944 mil já concluíram a graduação.

Jornada
Quanto às horas trabalhadas, a média semanal geral dos ocupados está em 39,2 horas, sendo 38,6 horas para a faixa de 18 a 24 anos. Os adolescentes entre 14 e 17 anos trabalham 27,3 horas por semana, com a carga horária superando o contraturno escolar.

Rotatividade
O jovem tem encontrado mais oportunidades, mas, quanto mais jovem, menor é o tempo de permanência na ocupação. Mais da metade dos adolescentes de 14 a 17 anos, ou seja, 52%, deixam o trabalho em menos de um ano, em geral porque buscam outros tipos de ocupação.

Quanto mais velho, a rotatividade cai pela metade: entre jovens de 18 a 24 anos, a taxa é de 38,2% e, entre 25 e 29 anos, de 25,3%. A baixa qualificação, os salários reduzidos e as jornadas longas explicam parte das dificuldades.
Ao perceber que as empresas não investirão em seu desenvolvimento, alguns jovens buscam a demissão voluntária em busca de empregos similares que ofereçam alguma vantagem adicional.

Setor e renda
A maioria dos jovens, cerca de 11,6 milhões, está em ocupações generalistas. Ou seja, 84% estão em funções de comércio e serviços que não exigem formação específica.

Desse total, 7,8 milhões recebem até 1,5 salário mínimo e 2,7 milhões ganham até um salário mínimo. Apenas 2,15 milhões estão em ocupações técnicas ou de nível superior.

As principais ocupações são as de balconistas e vendedores (1,24 milhão) e escriturários gerais (1,07 milhão).

Estagiários e aprendizes
O Brasil tem 1,77 milhão de estagiários, sendo 86% na modalidade não obrigatória e com bolsas médias em torno de R$ 1.075, conforme dados do eSocial.

Em relação aos aprendizes, o número total de jovens era de 716.742 em abril de 2026, com média salarial de R$ 1.160,17. Esse foi o maior estoque de jovens já registrado pela Lei da Aprendizagem. Em comparação com abril de 2025, quando eram 644.851 jovens, o crescimento foi de 11,15%.

Desafios
O ministério aponta que, para superar os desafios que persistem, é necessário elevar a escolaridade por meio de políticas públicas de estímulo à continuidade ou retomada dos estudos, a EJA profissionalizante e cursos on-line de combate à evasão.

Além disso, destacou a importância de conectar trabalho e formação – tendo a aprendizagem profissional e o estágio como pontes para um mercado mais qualificado – e ampliar a participação dos jovens em funções de maior densidade tecnológica, entre outras medidas.

De olho
E por falar em mercado de trabalho, nesta semana vamos ficar de olho na divulgação do Novo Caged, que trará os dados do emprego formal em maio.