Economia | 23/06/2026 | 14:11
Andreia Limas: Vamos dar uma voltinha no futuro do trabalho?
Enquanto algumas profissões estão caminhando para a extinção, outras surgem com força e algumas sequer foram criadas
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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Em uma coluna recente, tratamos sobre a carência de profissionais qualificados e sobre o eventual risco de um “apagão” de mão de obra. A proposta hoje é dar uma voltinha no futuro do mercado de trabalho, em um exercício de imaginar as profissões que ainda serão inventadas e as que estão ganhando força, enquanto outras caminham para a extinção.
Talvez, para você, pensar sobre o tema seja irrelevante, na medida em que sua carreira já esteja estruturada ou que a aposentadoria se aproxime. Mas já parou para analisar o que espera seus filhos e netos no mundo do trabalho e como você pode orientá-los a ter uma vida profissional bem-sucedida e feliz?
Do começo
Antes de chegar ao futuro, vamos falar do presente e de como algumas profissões podem acabar, seja pela perda de demanda ou de pessoas dispostas a levá-las adiante. É preciso dizer que esse é um processo natural da evolução humana e não é algo novo.
Ao longo do tempo, o leiteiro que vendia seu produto de casa em casa, a costureira de bairro, o alfaiate, o sapateiro se tornaram profissionais cada vez mais raros, a partir da industrialização.
Automação
A automação é outro fator interessante a se considerar: afinal, as máquinas substituíram as pessoas e tiraram empregos ou, como não havia mão de obra disponível para determinadas tarefas, a solução para manter a produção foi automatizar os processos?
Nesse caso, penso que as duas premissas estejam corretas. Se por um lado a tecnologia foi a opção para ganhar produtividade, por outro, algumas funções deixaram de ser atrativas.
Maiores quedas
O Fórum Econômico Mundial projeta que, entre 2025 e 2030, a transformação do mercado deve deslocar o equivalente a 92 milhões de empregos, ao mesmo tempo em que cria novas funções.
As maiores quedas aparecem em ocupações administrativas, operacionais e repetitivas, especialmente aquelas ligadas a atendimento, registro de dados, caixa, rotinas bancárias e suporte burocrático. Isso não quer dizer que esses profissionais vão desaparecer e sim assumir novas tarefas.
Transformação
A verdade é que estamos vivendo mudanças profundas nas relações de trabalho, aceleradas não só pela automação, pela digitalização e por mudanças de consumo, mas também por um novo posicionamento dos profissionais, sobretudo, a partir da pandemia.
A crise de saúde trouxe à economia reflexos muito além dos impactos pela suspensão momentânea das atividades econômicas. Provocou uma verdadeira revolução nas carreiras, com a introdução ou ampliação do trabalho remoto, jornadas mais flexíveis, uso massivo da tecnologia e até mesmo a mudança total de rota. Não à toa, o número de microempreendedores individuais explodiu no Brasil, interferindo diretamente na contratação de celetistas.
Em alta
Diante disso, a pergunta que fica é: para onde vamos? Estudo do Fórum Econômico Mundial, com mais de mil grandes empregadores, em 22 setores e 55 economias, mostra que as profissões do futuro não estão apenas na tecnologia. Elas aparecem também na logística, no cuidado, na educação, na construção, no agro, na indústria técnica e na transição energética.Parte inferior do formulário
Tecnologia
Na área de tecnologia, o mercado já se ressente da falta de profissionais, pois o ritmo de formação não acompanha a demanda e novas necessidades são criadas com o avanço tecnológico.
Vale lembrar que até pouco tempo atrás não existiam profissões como social media, surgida com o nascimento das redes sociais, ou operadores de e-commerce, nem as figuras do influenciador digital ou do gamer, hoje muito bem remuneradas em alguns casos.
Sustentabilidade
O desenvolvimento das energias limpas, dos veículos elétricos e autônomos, da sustentabilidade e do ESG na prática também suscita o surgimento de novas profissões.
Saúde e educação
Da mesma forma, a aplicação de novos medicamentos e procedimentos médicos precisarão de especialistas na área da saúde. Considerando tudo isso, haverá a demanda por formadores desses novos profissionais, ou seja, professores com conhecimento nas áreas citadas aqui, que são apenas alguns exemplos.
Formação
A preparação para esse novo mercado de trabalho precisa começar cedo, com a colaboração da família, passando pela educação básica e se intensificando no ensino médio/profissionalizante, até se aprofundar na graduação e especialização.
Juros
Mudo de assunto para falar que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na última semana, reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, passando de 14,50% para 14,25% ao ano. Ao justificar a decisão, o comitê citou a aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, a resiliência do mercado de trabalho e a inflação fora da meta estabelecida para 2026 (de 3%, podendo chegar no máximo a 4,5% ao ano).
De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho na divulgação da PNAD Contínua de maio. A pesquisa do IBGE traz dados referentes à taxa de ocupação e ao rendimento médio no país.



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