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12 de agosto de 2020 - 00:15
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Deinyffer Marangoni: Ensinamentos com a melhor Seleção Brasileira de todos os tempos
23/06/2020 às 07:22 | Deinyffer Marangoni
Eu e, provavelmente, alguns de vocês, nem éramos nascidos quando a Seleção Brasileira conquistou o tricampeonato da Copa do Mundo, em 1970, no México, mas sempre ouvimos que foi a melhor seleção dos últimos tempos, principalmente neste último final de semana, que marcou 50 anos desta conquista.

Mas por que esta seleção é conhecida como a melhor dos últimos tempos? Por que teve Pelé? Por que teve Zagallo como técnico? Eu, como bom brasileiro e apaixonado por futebol, fui atrás dessas resposta, e, como colunista, não pude deixar de transformar tudo o que vi em um artigo, relacionando tudo com o mundo dos negócios. Com isso, seguem os tópicos que fizeram a diferença para esta seleção e que podemos colocar em prática os ensinamentos em nossos negócios:


Tenha uma equipe. Por melhor que seja, ninguém joga sozinho

O “camisa 10”, geralmente, é o craque do time! E, que tal, ter cinco camisas 10 no time? Pois é, foi o que aconteceu com a Seleção de 70. Gerson, Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivellino, todos eram os camisas 10 dos seus respectivos times. Também eram todos titulares na seleção, mas só tinha uma camisa 10, que foi de Pelé. Mas, nem por isso, os outros quatros deixaram de ser craques, muito menos deixaram o ego subir a cabeça. Se todos eles não estivessem unidos e jogando juntos, de nada adiantaria ter cinco “craques”.


Um líder muda a cultura. Não tenha medo da mudança

João Saldanha foi demitido da Seleção Brasileira em março, sendo que a Copa do Mundo começaria em maio daquele ano. Vários são os fatores, tanto políticos, quanto falta de liderança e empatia com os jogadores, principalmente com Pelé. Mas a seleção não teve medo de mudar. Era um grande risco, afinal, quem que mudaria o treinador, a cabeça do time, faltando menos de três meses para o maior desafio daquela equipe? E o tempo de preparação do novo comandante? E treinar a equipe com novas estratégias de jogo? Foi aí que a gente viu a diferença de um líder, chamado Mário Jorge Lobo Zagallo, que ficou na seleção ininterruptamente até julho de 1974, ou seja, quatro anos. Mesmo em tão pouco tempo a frente da seleção, o “Velho Lobo” mudou a mentalidade da equipe, criou uma forte relação com o time, mudou a cultura e não teve dúvidas de colocar em prática suas convicções, inclusive, sendo o responsável por colocar cinco camisas 10 no mesmo time.


Conheça a sua equipe, suas potencialidades e fraquezas

Dar um passo atrás, por vezes, é necessário. João Saldanha se inspirava na Seleção Inglesa de Futebol, campeã da Copa de 1966, ele queria que sua equipe jogasse de forma semelhante. A questão é que os jogadores do Brasil e os europeus eram muito diferentes. Os brasileiros não tinham o mesmo preparo físico, tão pouco a velocidade dos europeus, para jogar de forma igual. Muitas vezes fazemos benchmarking com outras empresas, temos insights “geniais”, seguimos o líder do mercado, mas esquecemos de ver o que temos “em casa”, a cultura e o próprio mercado.

Foi aí que Zagallo surpreendeu. Reconhecendo as fraquezas da seleção e evitando jogar de igual para igual com os europeus, o técnico retrancou o time, colocou todos na defesa, mesmo tendo cinco “craques”, e apostou no contra-ataque para atrair os adversários e desmanchar a defesa do outro lado. Enquanto o adversário estava no ataque, tinha que desmanchar a defesa, e foi aí o golpe fatal do Brasil. Dos 19 gols feitos naquela Copa, nove saíram de contra-ataques.


Crie empatia e conquiste o seu público

Zagallo, mesmo em tão pouco tempo, conquistou a confiança da sua equipe. Bastou alguns amistosos antes da Copa de 70 para conquistar os brasileiros. Bastou chegar ao México, para disputar o Mundial, para conquistar o mundo. A alegria daquela união e a empatia era tão presente, dentro e fora de campo, que ficou impossível os Mexicanos e turistas não torcerem para a Seleção Brasileira. Hoje, Pelé e o Brasil ainda vivem em praça e teatro de Guadalajara. Quem acompanha qualquer esporte sabe o peso de “jogar em casa”, e foi assim que o Brasil se sentiu, principalmente naquela final, goleando a Itália por 4x1.

A Seleção foi simplesmente genial, dentro e fora das quatros linhas. Seu legado vive até hoje. Se somos penta campeões mundiais, se o povo brasileiro tem orgulho de sua seleção, mesmo que estamos a quatro copas sem ganhar, principalmente uma em casa, com um vexame do 7x1, muito depende dessa conquista de 1970. Aquela conquista amenizou o sofrimento e, ao mesmo tempo, mostrou o orgulho do povo brasileiro, principalmente em uma época conturbada, com a Ditadura Militar. É como diz a famosa marchinha criada naquela época e viva até hoje em nossos corações: “Somos milhões em ação, pra frente Brasil, no meu coração. Todos juntos, vamos pra frente Brasil, salve a seleção!!!”
Deinyffer Marangoni é formado em Administração, atua como executivo da Associação Empresarial de Içara e docente na Faculdade do Vale do Araranguá.
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