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08 de maio de 2021 - 05:09
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Deinyffer Marangoni: tecnologia e inovação catarinense conectada há 35 anos
04/05/2021 às 14:25 | Deinyffer Marangoni
Sou apaixonado pelo associativismo, mais que isso, eu faço parte, pois trabalho em uma Associação Empresarial e decidi lançar esta entrevista especial como inspiração. Como case, trago a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), que completou 35 anos de fundação em abril e é a principal representante do empreendedorismo inovador em Santa Catarina.

A Acate representa mais de 1,2 mil associados nos 13 polos de inovação e tecnologia de Santa Catarina, gerenciando uma rede de Centros de Inovação em Florianópolis e outras regiões do estado. Também possuí escritórios em São Paulo e em Boston (EUA). A missão da associação é apoiar o ecossistema local de ponta a ponta, das startups às empresas de grande porte, gerando conexões que fortalecem o setor de tecnologia no estado.

Para falar sobre a Acate e nos contar o que representa o associativismo na história de sucesso da entidade, conversei com o atual presidente, Iomani Engelmann Gomes:

1. Trinta e cinco anos de história e vocês já falavam em tecnologia e inovação. Além do pioneirismo, o que fez a ACATE se tornar este case de sucesso?

Desde a sua criação, a ACATE se preocupou em ser uma rede de suporte, capacitação e inspiração aos empreendedores. Por meio de seus programas estratégicos, como a incubadora MIDITEC, criada há mais de 20 anos e premiada por duas vezes como umas das 5 melhores do mundo, já se formaram centenas de empresas e milhares de postos de trabalho foram gerados. Outros programas, como as Verticais de Negócios, conecta empreendedores em seus respectivos segmentos e ajudam a fomentar novos projetos e iniciativas.

A partir dos anos 2000, a entidade começou a ganhar força com o crescimento do setor de tecnologia no estado e o surgimento de uma nova geração de empreendedores. Nesse contexto, a entidade foi crescendo e atendendo às novas demandas do mercado. Um exemplo mais recente é a criação do LinkLab, o primeiro laboratório aberto de inovação do estado que coloca, lado a lado, grandes empresas e startups. Outro é a Rede de Investidores Anjo (RIA SC), que já conectou dezenas de pessoas interessadas em investir recursos em empresas inovadoras, auxiliando também empreendedores a buscar recursos e conexões para expandir seus negócios.

Além disso, a ACATE tem participação ativa junto ao poder público na busca por soluções e projetos que qualifiquem o ambiente empreendedor e de negócios em Santa Catarina.


2. Na visão da ACATE, qual a importância do associativismo?

Sempre entendemos que juntos somos mais fortes, que quando um cresce, todos crescem, e esse pensamento faz parte do nosso sucesso de gestão. Por isso trabalhamos tanto para desenvolver o ecossistema do estado em todas as regiões, oferecendo diferentes programas para os diferentes estágios das empresas.

Um grande exemplo são as Verticais de Negócios, nas quais empresas do mesmo segmento, muitas deles concorrentes no mercado, trabalham juntas para fortalecer o ecossistema.


3. E qual a importância de uma pessoa ou empresa estar ligado a um ecossistema de inovação?

No ecossistema de inovação, os participantes têm acesso a uma série de programas, mentorias, fazem network, o que possibilita o desenvolvimento dos negócios de forma muito mais rápida. Mais do que uma entidade associativa, o ecossistema é uma rede de suporte, capacitação e inspiração aos empreendedores.


4. Quem pode fazer parte? E como as empresas de Içara e do Extremo Sul de Santa Catarina podem se conectar com o ecossistema de inovação da ACATE?

Para uma empresa se tornar associada à ACATE, basta atender aos seguintes critérios: ter CNPJ constituído em Santa Catarina e ter registrado no cartão CNPJ pelo menos uma das atividades (CNAE) cadastradas na área de tecnologia.

Além de fazer parte do maior ecossistema de inovação e tecnologia do estado e da Instituição com maior representatividade do setor de tecnologia, é possível ainda contar com condições especiais na contratação de diversos serviços e benefícios e acesso aos diversos programas estratégicos que podem gerar negócios, oportunidades e crescimento.

A ACATE conta com 10 polos regionais espalhados pelo estado de Santa Catarina. Na região Sul, estão 7,7% do total de empresas de tecnologia, que representam 5,5% do faturamento do setor, segundo o Observatório ACATE. A região tem apostado na integração entre suas principais vocações econômicas (cerâmica e mineração de carvão) e no apoio aos novos negócios inovadores. A conexão da ACATE na região é feita pelo Núcleo de Base Tecnológica da Associação Comercial e Industrial de Criciúma (ACIC).


5. Quais barreiras as empresas “tradicionais” precisam quebrar para promoverem um ambiente de transformação inovadora e se adaptarem aos novos cenários? E como fazer isso?

Acredito que o primeiro passo é as empresas tradicionais entenderem que o sucesso do passado não garante o sucesso do futuro. Muitas vezes a posição do mercado e o êxito que a empresa teve faz com que ela entenda que a inovação não é necessária, porém isso não é real devido às constantes transformações que o mundo está passando. Outro ponto é a alta gestão conseguir se adaptar estando próximos dos ecossistemas de inovação, entendendo toda disrupção que tecnologia e novos modelos de negócio estão impactando nas indústrias e nos negócios tradicionais. É um ambiente muito rico a troca nesses ambientes.

Além disso, as empresas tradicionais devem olhar o ecossistema como um aliado. A tecnologia e a transformação digital são dinâmicas de mercado que estão presentes em todas as cadeias produtivas gerando valor.

Um exemplo é o nosso programa de inovação aberta LinkLab, que aproxima médias e grandes empresas com startups que possam acelerar o processo de inovação dessas empresas e ao mesmo tempo dar às startups uma grande oportunidade de acelerar sua participação em grandes mercados. Estas grandes empresas possuem os recursos, mas muitas vezes têm dificuldades em promover inovação. Com o apoio do time de especialistas do LinkLab, são desenvolvidos diferentes tipos de projetos que são acompanhados ao longo do tempo.


6. Rumo aos 40, 50 e, por que não, 70? Qual a visão e os projetos futuros da ACATE para continuar fazendo história?

A ACATE está num processo de consolidação para ajudar a tornar Santa Catarina um estado ainda mais empreendedor, tendo ecossistemas fortalecidos em todas as regiões. Hoje já vemos o desenvolvimento regional, mais ainda com uma assimetria de maturidade. Nos próximos anos vamos ver uma homogeneidade maior, com uma maturidade maior em todas as regiões, com mais projetos, centros de inovação e iniciativas.

Em outra frente, também estamos batalhando para que algumas engrenagens do ecossistema se completem, com a criação de fundos locais para mais investimentos nas empresas do ecossistema. Outro ponto é a formação continuada de profissionais do setor, que já é um grande gargalo em todo o Brasil. A formação é fundamental tanto para as pessoas que querem ingressar no meio da tecnologia, como também para os empreendedores e futuros empreendedores terem aqui uma escola de negócios de primeira linha.

Outro ponto importante é manter a chama do associativismo forte, entender que todos juntos somos mais fortes, e o pensamento coletivo é o que fez e faz da ACATE um sucesso de gestão.


7. Deixe uma mensagem final para quem pensa em empreender, inovar, e/ou para quem já tem o seu próprio negócio, mas precisa se reinventar para continuar no mercado.

Acredito que a mensagem é entender que empreender significa realmente aprender. Na minha opinião, uma das habilidades necessárias é aprender a reaprender. Entender também que a inovação não está ligada somente com “rocket science”, ou seja, coisas extremamente complexas. Muitas vezes novos modelos mentais, modelos de negócios, combinações de coisas que já existem fazem com que a inovação aconteça. Então esse estigma de que a inovação é somente para startups ou pessoas jovens, não existe.

O empreendedor precisa estar sempre atento, olhar a mesma situação do seu negócio com outro ângulo e permitir que outras pessoas e outras empresas possam contribuir, sem ficar preocupado com as críticas que podem vir. Eu acho que grande parte do processo de inovação e de reinvenção acontecem justamente nesse olhar externo que ecossistemas, startups, empreendedores e executivos de outras áreas e outras empresas podem trazer para o negócio. Esteja aberto para isso, que pode fazer com que novos insights surjam.

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