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Taise Domiciano: Os algoritmos são amigos ou inimigos da criatividade?
A dica é buscar conteúdos diferentes para aumentar a variedade de opções disponíveis e indicadas
28/06/2022 às 09:22 | Taise Domiciano
Você já deve ter ouvido falar de algoritmos, certo? Eles estão por toda parte: Instagram, Netflix, Spotify, TikTok, entre outros. O algoritmo funciona como “uma série de instruções e variáveis que descrevem as operações”.

Basicamente, o sistema pode ser usado para rastrear os comportamentos e gostos dos usuários e direcionar aquilo que o usuário quer ver. O sistema consegue fazer vários cruzamentos de informações para poder ser o mais assertivo e manter você conectado e satisfeito com aquilo que é apresentado para você.

Falamos tanto da era da personalização, que as pessoas cada vez mais querem que suas experiências sejam pensadas e feitas para ela, que as vezes nem nos damos conta, de até onde isso é interessante.

Sabe por que eu trago essa provocação? Porque um dos pilares para estimular o pensamento criativo é se conectar com pessoas que pensam de forma diferente da sua e estar exposto a coisas novas, diferentes, que geram curiosidade e te fazem pensar. Afinal de contas, diferentes pontos de vista te fazem pensar melhor.

O problema é que com essa clusterização, estamos sendo colocados dentro de tribos, estão segmentando as pessoas pelo que gostam e se interessam. Basta olhar para as redes sociais e você verá que estamos dentro de comunidades com pessoas que pensam de forma parecida, além do mais, as sugestões de conteúdos são mais do mesmo.

Eu sou assinante da Netflix, e esses dias fui ao dentista e a secretária estava com a TV ligada, procurando algo na Netflix para colocar para os pacientes assistirem. Fiquei surpresa, parecia outro serviço de streaming, pois os filmes que apareciam ali, eram totalmente diferentes daqueles que aparecem na minha TV. Creio que os algoritmos possam estar por trás disso!

Assim como também sou usuário de redes sociais e de outros serviços como Spotify, e a mesma coisa acontece. Isso é bom para o usuário? No meu ponto de vista, em partes sim. Economiza tempo, pois temos um direcionamento para aquilo que nos interessa. Mas, em contrapartida, faz eu ficar no mesmo mundo na maior parte do tempo. Extremos nunca são bons, encontrar um equilíbrio é a melhor escolha.

E quando falamos de criatividade, estamos falando de experimentar coisas novas, já que a criatividade está ligada a fluência e flexibilidade de ideias. Assistir um filme diferente daqueles que está acostumada, ouvir uma música de outro ritmo, se conectar com pessoas diferentes, e aqui vale um ponto de atenção, não é se conectar com pessoas diferentes para gerar confronto, em que você busca anular o outro e/ou vencê-lo em uma discussão. E sim, respeitar o outro e seu ponto de vista mesmo sem concordar com sua opinião.

Interagir com pessoas que não compartilham das nossas perspectivas nos obriga a repensar. Do contrário, quando nós interagimos somente com quem pensa igual, nos conformamos com o que acreditamos e achamos que aquela é a melhor ideia, deixando de lado a oportunidade de mudar.

Se você quer explorar sua criatividade, deve interagir com pessoas que pensam de forma diferente e que sejam abertas ao novo. Como eu já comentei aqui, em outro texto publicado, quando colocamos em uma sala pessoas que pensam da mesma forma e damos um problema para elas resolverem, provavelmente elas chegarão logo em um consenso, pois o primeiro que der a ideia, todos irão concordar.

Agora, se eu colocar em uma sala pessoas que pensam de forma diferente, com experiências diferentes, eu tenho quase certeza que eles demorarão mais para chegar a um consenso, pois irão divergir mais, e estressar as ideias dadas. Um vai construir sobre as ideias dos outros e isso faz com que haja um aprofundamento no processo criativo. Logo a segunda ideia tende a ser a melhor.

Por isso, trate de buscar novas experiências, assistir um filme diferente daqueles que o algoritmo está te indicando, ouvir outras músicas e conversar com pessoas que tragam uma perspectiva diferente da sua. Isso vai aumentar seu repertório e ajudá-lo a aumentar seu potencial criativo.
Taise Domiciano é palestrante, professora, pesquisadora de futuros, facilitadora e mentora em criatividade, inovação e futuros.
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