Canal Içara

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20 de agosto de 2019 - 20:15
Esportes » Jean Coral
“Espero voltar logo”, fala Jean Coral
21/05/2012 às 16:51 | Carlos Rauen - carlos.rauen@canalicara.com
Jean Carlos Alves Coral é mais conhecido no mundo da bola com Jean Coral. Natural de Içara, foi uma das grandes promessas do futebol do Tigre. Revelado pelo Criciúma em 2007, o atacante despontou com a camisa tricolor ao marcar 15 gols em 30 jogos. Disputou um Campeonato Catarinense, uma Copa do Brasil e uma Série B do Campeonato Brasileiro. Todavia há mais de um ano não atua como profissional.

Após o ótimo início de carreira com a camisa do Criciúma, Jean foi para Europa e disputou oito partidas pelo Vitória de Guimarães, em Portugal. Por lá marcou apenas uma vez. A volta ao Brasil aconteceu em 2009. Na época foi contratado pelo Botafogo. Mas com o time em crise, não convenceu.

Sem clube, retornou para Santa Catarina. Disputou a Segunda Divisão do Brasileirão pelo Figueirense. No time da capital fez parte apenas de uma partida. Tentou novos ares no Ceará e mais uma vez não teve uma sequência de jogos. Quatro partidas e nenhum gol. Em 2010 o atacante finalmente voltou a ter uma participação mais longa. Ele foi para o Juventude durante a Série C.

Porém, a ajuda de Jean não foi suficiente para o time gaúcho escapar do rebaixamento. A última partida foi no dia 3 de abril de 2011 contra o Porto Alegre. Aos 24 anos, Jean Coral está trabalhando em uma empresa na cidade Morro Grande junto com o pai. Mas o maior sonho é voltar ao clube em que foi revelado.

“Minha maior vontade hoje de jogar futebol é jogar no Criciúma, é voltar ali no Criciúma. Então se eles pensassem em me sonda, me procurar, eu aceitaria de olho fechado, sem pensar em salário, sem pensar em dinheiro, sem pensar em nada”, declarou. Além do sonho de retornar aos gramados, o atacante falou sobre o início de carreira de Içara e sobre a vida no futebol. Confira a entrevista concedida ao Portal Canal Içara:

Como você começou no futebol?
Tudo começou como todo moleque sonha. É tudo difícil, tudo disputado. Treinava com muitos guris da minha idade. Tinham guris melhores do que, meus colegas. Comecei nas escolinhas do Caiçara, vim para Morro da Fumaça, depois Caravaggio. Então surgiu um peneirão do Criciúma que por coincidência aconteceu em Içara. Acabei indo com três colegas. O único de nós quatro que passou fui eu.

Foi difícil essa época de base em Içara?
Não é que é difícil. Quando se é guri nada é difícil. Tudo é alegria se tu gosta de jogar bola. Se torna difícil quando se torna profissional e consegue manter esse patamar. Isso é o lado mais difícil. Quando se é moleque não é difícil. Tua alegria é ir lá e jogar bola, sem responsabilidade.

Você lembra do que estava sentindo na sua estreia como profissional pelo Tigre?
Me lembro como se fosse hoje. Arrepiou do pé a cabeça. O estádio estava com bastante gente. O Criciúma vinha de várias derrotas, de uma situação difícil. E eu, guri de 19 anos, no meio daquela fogueira. Mas a oportunidade tu não escolhe, bate na tua porta e eu estava pronto. Foi contra o Brasiliense. Ganhamos de 2 a 1 e eu fiz um gol.

Na época você foi dado como promessa do Criciúma pela mídia local. Isso atrapalhou, subiu a sua cabeça?
Isso não atrapalhou. Só me ajudou. Porque no primeiro ano de profissional já ser a revelação do campeonato, ser considerado a revelação do Criciúma, é muito gratificante. Então acredito que isso só me ajudou. Não atrapalhou em nada não.

Com 20 anos você saiu do Criciúma e foi jogar no Vitória de Guimarães de Portugal. Foi a escolha certa?
Eu acredito que hoje não. Não foi a escolha certa. Mas acredito que na vida é mais fácil se arrepender de uma coisa que a gente fez do que uma coisa que a gente não fez. Foi uma escolha que tomei para mim naquele momento. Decidi com a minha família. Hoje, pensando bem, talvez se tivesse ficado teria acontecido outras coisas, teria sido totalmente diferente. Ou poderia ter sido ao contrario, de só jogar ali e o Criciúma poderia me dispensar.

O sonho de jogar na Europa influenciou sua decisão?
Com certeza. Todo jogador que a gente conversa e pergunta qual é teu sonho ele responde que é jogar na Europa. Mas eu estive lá e a realidade é totalmente diferente. Eles gostam muito de brasileiro, mas não tem como o nosso país, não tem como o nosso futebol que é um dos melhores do mundo.

Você fez apenas oito partidas e um gol pelo Vitória Guimarães. O que faltou para conseguir repetir o desempenho feito no Criciúma?
Faltou tempo, faltou oportunidade, faltou confiança. Foram vários critérios que levaram a não ter um sucesso como eu tive no meu começo aqui no Criciúma. Fiquei um tempo lá sozinho e nunca tinha saído de casa. Eu ia treinar no Criciúma e em 15 minutos já estava no campo. Família longe, fora do teu país, pessoas falando português, mas é um português diferente, comida, clima... Então tudo isso influência.

Depois do Portugal você foi contratado pelo Botafogo. Como resumir esta passagem?
O Botafogo estava em uma situação que precisava de um jogador que resolvesse logo o problema deles. Como eu já vinha sem confiança no Vitória de Guimarães eu achei que chegando ali iria ser um trabalho a longo prazo. Mas não foi bem assim. O que aconteceu foi que eles queriam um resultado a curto prazo e eu não obtive isso. Isso me prejudicou muito.

Após o Botafogo, uma passagem rápida por Ceará e Figueirense, totalizando cinco partidas pelos dois clubes. Havia algo fora de campo que estava te atrapalhando?
Fora do campo nada me atrapalhou. Não sei o que aconteceu que eu não consegui nesses outros clubes que eu passei demonstrar o que joguei em Criciúma. Não sei se foi cidade, se foi clube. Acredito que fui eu mesmo, mas nada fora de campo me prejudicou não.

Pelo Juventude você retornou a ter uma sequência de jogos, mas o clube acabou caindo para a Série D. Foi um momento difícil na tua carreira?
Marca, marca qualquer jogador. Já que era um clube que tinha uma estrutura boa. É um clube grande no cenário brasileiro, tem nome. Queira ou não queira marca qualquer jogador. E infelizmente eu estava naquele episodio que naquele ano o clube caiu para a quarta divisão. Ma serviu muito como aprendizado.

Jean, você não entra em campo desde o dia 3 de abril de 2011. Está com saudade de jogar futebol?
Bastante.É o que eu gosto de fazer, o que eu escolhi para minha vida. Estou com bastante saudade. Espero voltar logo.

Você teve propostas de outros clubes nesse tempo parado?
Ter, eu tive, mas nada que eu achasse que fosse para mim no momento. Estou tentando aguardar mais um pouco. Espero que isso se resolva logo, consiga me encaixar em algum clube e possa voltar a brilhar novamente.

Tem treinado em algum lugar? Ou até mesmo disputando campeonato amador?
Tenho treinado, feito academia, mas disputar campeonato amador por enquanto não. Isto vai acontecer apenas no dia em que eu falar: “Deu, não quero mais jogar futebol profissional”. Daí sim eu vou disputar campeonato amador. O amador hoje em dia está muito forte e é perigoso de se machucar. Se para recuperar de uma cirurgia é demorado, se para um atleta profissional que está todo dia fazendo fisioterapia já é demorado, então imagina para um atleta amador.

De onde você tira motivação para achar que vai conseguir repetir o bom futebol que ajudou o Criciúma em 2007?
O que eu vivi no passado eu não desaprendi nada. Minha tendência é crescer, amadurecer. Da onde eu tiro forças? É da minha família, meu pai, minha mãe, meu irmão, minha esposa, sempre do meu lado, depositando confiança e toda tranquilidade em mim.

Pode contar alguma história engraçada que você já passou no futebol?
Tenho uma história que eu conto e ninguém acredita. Foi na Copa do Brasil lá em São Januario (contra o Vasco, em 2008). Nosso time estava bem, 0x0. O treinador Leandro Machado fez uma substituição e eu estava jogando meio. Daqui a pouco entra meu colega, que eu não vou citar nome, e fala: “Jean, eu e tu na volancia”. Eu olhei para ele e perguntei: “Na volancia?”. E ele respondeu: “É, vamos fazer duas linhas de quatro e duas linhas de três.” Eu parei e pensei “duas linhas de quatro já da oito, mais duas de três? Será que o time deles também vai fazer essa linha” (Risos). É uma história que eu conto e ninguém acredita. Coisas do futebol.

O Criciúma já te procurou para voltar? E se procurar, você aceita retornar?
Ainda não procurou. Minha maior vontade hoje no futebol é jogar no Criciúma. É voltar ali no Criciúma. Então se eles pensassem em me sondar, me procurar, eu aceitaria de olho fechado, sem pensar em salário, sem pensar em dinheiro, sem pensar em nada.
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