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24 de agosto de 2019 - 00:42
Política » Memórias
“Fui um bom prefeito”, avalia Gentil
21/12/2012 às 13:28 | Lucas Lemos - lucas.lemos@canalicara.com
Na definição do próprio Gentil Dory da Luz, foi um bom prefeito em todas as áreas em que o Poder Público atua. Pela primeira vez o pobre teve apartamento. Além disso, elenca a pavimentação em Sanga Funda, Barracão, Esplanada, Terceira Linha e tantas outras em andamento. "Foram vários bairros e recursos que viabilizamos. Executei 17 unidades de saúde. Em 44 anos foram feitas 10. Em quatro anos já ultrapassei o trabalho de uma década. Algumas seguem em construção. Daqui a oito anos ainda vai ter prefeito fazendo obras que viabilizei", repete em mais uma entrevista.

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“O ser humano não tem garantia nenhuma. Não sei quando irei morrer. Gostaria de ser lembrado em praças, escolas, unidades de saúde... Quero ser homenageado. Tem duas unidades de saúde que ainda não botei o nome. Foi de propósito. Quero ver se vão colocar o meu. Tem escola que também ficou sem nome. Em São Rafael, por exemplo”, relata.

Ainda numa sala próxima ao seu gabinete, o prefeito comenta agora o mandato na Prefeitura Municipal. Sem deixar de balançar a cadeira, enaltece o próprio trabalho. Ao mesmo tempo se apresenta como vítima e dá dicas ao sucessor Murialdo Canto Gastaldon. A conversa é acompanhada pelo assessor pessoal e por secretários. Foram quase 3h de relatos e memórias transcritas para a tela de um computador.

Ao assumir, Gentil chamou a imprensa para reclamar de R$ 23 milhões de endividamento de curto prazo. Ao final de quatro anos, reconhece que deixará um valor ainda maior. “Fui buscar o Programa de Aceleração do Crescimento em todas as áreas. O endividamento dos R$ 10 milhões de saneamento passou a contar a partir do meu governo. por outro lado vamos resolver o problema de pavimentação do grande centro da cidade. Serão 165 ruas que não precisarão mais gastar com areão”.

Na mesa, Gentil continua a falar. Agora com uma revista na mão. O material foi criado para listar todas as obras e ações que prospectou. A ideia de Cidade Digital, por exemplo, ficou pendente. Mas garante que irá buscar ainda a realização do projeto. A dúvida é se poderá ser beneficiada a cidade de Içara ou o Balneário Rincão. "Muitas das coisas que iniciei ainda não foram concluídas. Fiz uma revista e quero ver todas as obras que estão nela executadas. Vou trabalhar para isso".

Também sobre os quatro anos, numa das poucas vezes, reconheceu alguma falha. O erro, segundo ele, foi confiar muito nas pessoas. "Quem engorda o boi é o olho do dono. Isto serve para hoje. Eu deixei o boi muito solto. Se eu tivesse que dar uma dica ao Murialdo, iria sugerir que é preciso confiar desconfiando. Até porque quando a coisa é boa, muitos ganham, menos o prefeito. Quando é ruim, quem paga é o prefeito. (...) No hospital, fui o prefeito que mais repassou recurso em toda a história. Repassei mais do que os quatro últimos prefeitos. Mas quando o hospital não vai bem o culpado é o Gentil", reclama.

Quanto a administração da cidade, avalia ainda que é preciso ter uma equipe de comando reduzida e que possa estar reunida diariamente. Considera que levou azar e trabalhou sozinho pela falta de atuação do vice. “Espero que o Murialdo tenha a sorte do Clésio Salvaro [prefeito de Criciúma]. Nunca tive inveja de ninguém. Tenho admiração pela sintonia do Clésio e o Márcio Búrigo. Não há ciúmes e sempre ficaram juntos. Não conspirou contra ele. É tipo um casamento. Respeito o meu vice, mas acho que poderíamos ter feito mais se tivéssemos trabalhado a quatro mãos”.

O exemplo que tinha em mente era observado também no Distrito Federal. “Conheci José de Alencar. Visitei no gabinete e ele não falava mais de 10 palavras sem citar o Lula. O Michel Temer articula par a presidente Dilma com a mais alta discrição. Faz um trabalho de bastidor muito forte”, indica. “Se tem um homem que eu aprendi a admirar foi o Darlan Carpes [presidente da Câmara Municipal] devido a lealdade. Nos últimos dias faltava dinheiro para complementar a folha e ele devolveu dinheiro. Nas vezes que atrasava o repasse ao Legislativo sempre vinha conversava. Nunca me botou na justiça. Tive muitos parceiros”, enaltece.

Em quatro anos, foram muitos também os escândalos que fizeram Içara manchete em jornais. Um servidor foi preso por corrupção em 2011. Já em 2012 o Ministério Público e a Polícia Civil desencadearam uma operação na Prefeitura e no Samae. O resultado foi a detenção temporária de oito pessoas e apuração de superfaturamento de contratos. “Há uma fantasia muito grande. Depois de jogar um saco de pena ao vento, não se consegue juntar tudo. As vezes acaba-se denegrindo a imagem de pessoas e entidades”, retruca.

E quem é o culpado pela imagem negativa da cidade prefeito? Gentil responde então que é tanto quem comete algo irregular, quem denuncia um fato sem conhecer de verdade e sobra até para a imprensa. “Os jornais, rádios e sites não gostam de falar de cultura, de dança. Mas gostam muito de ver sangue. Morreu, assassinou, saiu na imprensa. Pai estupra filha, sai. Agora não fala do Caps. Não fala do Ideb. A imprensa é uma das que gosta de ver sangue. De ver coisas ruins. É tipo morcego. Tanto que o Jornal Nacional são só coisas ruins”.

“O padre está em todas as capas de jornais de ontem porque dizem que denegriu a imagem da igreja católica. Mas nunca fizeram uma reportagem das coisas boas que fizeram. Também não fazem o dia-a-dia da igreja. Conheci o padre agora, mas ele está em 50 anos. Na Câmara de vereadores não se fala das ações positivas. Da mesma forma que tem o péssimo político, tem o péssimo jornalista, o péssimo empresário...”, critica.

Nos exemplos que faz questão de citar, apresenta a aprovação das contas pelo terceiro ano consecutivo. Neste ponto o jornalista interrompe e diz que em nenhum momento esta informação foi repassada para a imprensa pela Prefeitura. O assessor, ao lado, diz que se trata de uma característica do próprio leitor o desejo pela leitura de tragédias. Em resposta, Gentil então contrataca: “Os sites são bem informados. Se é um negócio ruim já está na capa dos jornais. Fui perseguido por quatro anos. Por rádios, jornais... Encaro como fato positivo. Falem mal, ou falem bem, mas falem de mim. As pessoas acabam com vontade de conhecer o Gentil. O que estou querendo fazer na verdade é um desabafo”.

Na avaliação do prefeito, a Operação Moralidade comprovou que estava tudo certo. O que existiu foi apenas o uso indevido do celular. “Quando eu falo no telefone, nem tudo é verdadeiro. A transcrição você interpreta ou coloca aquilo que você quer. Fiquei tranquilo e me coloquei à disposição nas investigações. Foram três meses em que vieram todos os dias na Prefeitura. Os documentos estavam todos no Gaeco. Tinha um projeto. Gostaria muito de ser reeleito. E tive que abrir mão para que eu pudesse fazer a defesa. Também para não expor os meus lideres. Não queria que as minhas agentes comunitárias e diretoras tivessem que fazer a minha defesa. Tanto é que não participei da campanha, nem de reuniões, nem de comícios. O presidente do meu partido é o próximo vice-prefeito. E muitos dos vereadores eleitos trabalhavam em meu governo. No rincão também. Então o meu governo era bom”, considera.

À Operação Moralidade recai ainda a culpa por não ter sido concluído o planejamento estratégico que iniciou o ex-deputado José Carlos Vieira. “Cancelamos o último ano com a empresa. Agora tem que dar sequência ao Plano Diretor. Ou através de contratação ou por uma estrutura própria”. O Governo Municipal também interrompeu a realização de show e grandes eventos. Trocou os espetáculos de Ivete Sangalo, Daniel, Victor & Léo por areão. Mas o motivo foi outro. “A população, principalmente a oposição, tem miopia. Eles não fizeram então não querem que ninguém faça. Em Imbituba, a Festa do Camarão nunca para. Em Forquilhinha e Nova Veneza também fazem muitas festas. Aqui as pessoas criticam. As vezes preferem que coloquem o areão na rua. Temos ainda o político do areão. Na verdade é preciso pavimentar. Eu inverti. Ao invés de eventos, colocamos areão”.

No pleito, Gentil foi citado também pelo empresário José Fernandes. E assume que foi procurado por ele anteriormente. Na conversa tomou conhecimento da possibilidade de uma empresa fantasma ter sido criada para prestar serviços ao Samae. Até então o presidente era José Zanolli. E por consequência, o vice-prefeito perdeu a presidência da autarquia. “Eu promovi ele para prefeito e ele não voltou mais. Não digo que o que o Zé tenha feito. Na verdade botei um engenheiro, que é o Nestor Back, para fazer todas as medições. O Zé continuou no governo, como secretario da Indústria e Comércio. Participou na Prefeitura até ser candidato. Muitas das pessoas dele estão no governo hoje”.

E teve oposição no governo? A lista é desenrolada rapidamente. “Tive oposição do adversário que botou os processos, do Ministério Público, do Governo do Estado, dos deputados estaduais, do vice-prefeito e da Câmara. Tem vereador que trabalha dentro do meu governo que é oposição. Qualquer ruído já vinha denuncia contra nós no MP. Os meus projetos no Governo do Estado foram cancelados. Fui o homem que mais teve oposição. Sou amado e odiado. Sou admirado e invejado”.

"Não tem um só servidor que não idolatre o prefeito. Estou recebendo homenagens de todos os setores da administração. Nunca recebi tanto presente quanto agora. Quando se recebe presente é por gratidão. Só hoje foram três. Passei quatro anos sem atrasar os salários. O que Içara mais ganhou foi a visibilidade. O reconhecimento de lideranças estaduais e nacionais. O relacionamento com Florianópolis e Brasília não houve e não vai haver nos próximos 50 anos da cidade. Estou trabalhando no final do mandato como trabalhei no primeiro mês de governo. Isto é uma característica minha. Tenho Deus dentro de mim", finaliza.
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