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Ecstasy entra definitivamente em Içara
23/02/2007 às 11:47 | João Paulo De Luca Jr. (Jornal Agora) - redacao@jornalagoraonline.com.br
O ecstasy vem superando a cocaína como a droga mais popular entre os jovens de classe média e alta. Esta é a constatação do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. A droga entrou definitivamente no município de Içara e sua utilização pode ser comprovada pelos repórteres do Jornal Agora durante as festas de carnaval da região.

Conhecida como “pílula do amor”, “bala” ou, simplesmente, “E”, o ecstasy possui como princípio ativo a 3,4 metilenodioxi-N-metanfetamina, substância patenteada no início do século XX pelo laboratório farmacêutico alemão, Merk, com a finalidade de moderar o apetite. Mas ela nunca foi usada para esse objetivo e só passou a ser utilizada na medicina no final dos anos 60, como parte de tratamentos psicoterápicos. No final da década de 70 sua utilização foi proibida na Europa e nos Estados Unidos.
O ecstasy é uma “club drug”, ou seja, uma droga típica das festas eletrônicas conhecidas como “raves” – proibidas em Santa Catarina – e tem se espalhado principalmente pela facilidade de distribuição e transporte, que dificultam a ação das polícias. Seus principais efeitos são: alteração da percepção da realidade, sensação de bem-estar, euforia, agitação, aumento da libido e desejo de se comunicar.

Os efeitos colaterais das “balinhas” não são pequenos. Além de hipertermia fulminante (aumento da temperatura corporal), houve registros também de exaustões profundas, redução do apetite, taquicardia, pânico, paranóia, problemas hepáticos e disfunções cognitivas.

Administrado por via oral, o ecstasy passa a fazer efeito após 1 hora e o período de ação é de 6 horas. Durante esse tempo, há uma sensação de “secura” na boca dos usuários. Por esse motivo, nas festas eletrônicas é muito mais comum a presença de água do que a de bebidas alcoólicas.

Outro fator que impede a ação concreta das autoridades na tentativa de conter o crescimento do número de jovens que usam a droga é que não existem grandes traficantes como ocorre com a cocaína e o crack. “Normalmente um amigo vai até Florianópolis ou Balneário Camboriú e aproveita e traz cinco ou seis comprimidos para vender aos amigos”, explica Jefferson – nome fictício usado para manter a integridade do jovem – de 23 anos. Do mesmo modo, jovens que retornam da Europa ou dos Estados Unidos trazem pequenas quantidades para uso pessoal e distribuição entre os amigos. “O problema é que por falta de informação, muitos jovens acabam comprando anfetamina pura acreditando ser ecstasy”, observa o jovem.

O preço de um comprimido da droga sintética, entre 25 e 50 reais, faz com que a faixa sócio-econômica dos usuários seja formada por pessoas entre 15 e 30 anos, e que possuem alto poder aquisitivo. Ou seja, justamente uma fatia de população muito bem esclarecida sobre os riscos e com poucos motivos para entrar no mundo das drogas.

“Com certeza uma das maiores vantagens do ‘E’, é que a gente não precisa subir morro ou entrar em favelas para comprar. Em quase todas as faculdades têm alguém que vende”, enfatiza Jefferson.

O carnaval destacou-se como a época em que o consumo da droga atingiu o topo. A droga circulou livremente nas principais festas da região, freqüentadas por jovens de Içara, numa clara mudança de padrões: o que antes parecia restrito a clubes ou festas eletrônicas agora é percebido em quaisquer festas. “Durante o carnaval a Polícia Militar colocou agentes a paisana nas principais festas da região exatamente para tentar coibir a utilização de drogas, mas de qualquer forma é muito complicado flagrante de consumo de ecstasy principalmente por essa facilidade no transporte”, explica o comandante da Polícia Militar de Içara, Major Márcio José Cabral. De fato, a presença de homens da polícia parece ter evitado, ao menos, a venda indiscriminada das “balas” nas danceterias.

A utilização do ecstasy pode danificar de forma permanente as conexões neurais do cérebro que liberam serotonina – substância responsável pela sensação de prazer. Se a conexão não for substituída por outros neurônios, ela ficará perdida para sempre.


EFEITOS:

Esperados: Bem-estar, Alteração da percepção da realidade, Euforia, Agitação, Desejo de se comunicar, Aumento da libido.

Adversos: Hipertermia Fulminante, Taquicardia, Depressão, Paranóia, Síndrome ou surtos de Pânico, Disfunções hepáticas, Ranger dos dentes, Perdas cognitivas

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