Canal Içara

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14 de dezembro de 2018 - 18:00
Cotidiano »
Lembranças da infância nos anos 80
12/10/2018 às 11:00 | Simone Cândido
Para muitos, o Dia das Crianças é sinônimo de presentes que não substituem o carinho, a presença de que uma criança necessita. Desde cedo, elas aprendem por meio dos comercias e/ou pelas redes sociais que nesse dia elas precisam ganhar presentes e, geralmente, ainda escolhem.

Sou a quarta filha de cinco irmãos. Eram tempos muito difíceis! A maioria das meninas da minha época tinha a boneca dorminhoca. Era o sonho das meninas! A tal boneca existia em várias cores, feitas de um tecido brilhante um tipo de veludo. Quando eu ia à casa das outras meninas, lá estava a dorminhoca em cima da cama!

Na TV, ainda em preto e branco, passava o comercial da Susie da Estrela, a prima da Barbie. Olhava com olhos brilhantes para o comercial, mas nunca tive nenhuma das duas bonecas. Existia um tal de bonecão, esse era bem popular. Vinha só com um calção e mais nada. Quem tinha um macacão de algum irmão menor, usava no boneco. O meu, chamava-se Rogério, pois esse seria o meu nome caso eu fosse menino.

Também existiam as pulseiras de metal. Minha vizinha aparecia lá em casa com o pulso cheio de pulseiras, balançando aos meus olhos e aos de minhas irmãs. Ficávamos olhando com vontade de colocar algumas também, mas quatro meninas, não era fácil para meus pais atenderem a esses caprichos.

São tantas lembranças! As festas de crianças com o tal Capilé, um suco feito com sabor framboesa, que misturado com água rendia vários litros, muito doce e o cheiro, nem se fala. Ainda sinto até hoje! E o tal do ki-suco, misturava em dois litros de água e bastante açúcar. Refrigerante era só no Natal e Ano Novo! Meu pai comprava um engradado de laranjinha e fazíamos a festa!

Na venda do Seu Zé Antônio e do seu Maneca (Manoel Goulart), comprávamos doce de abóbora, sorvete e bolacha com maria-mole, balas soft, pirulito zorro e suspiro rosa que na época, eu adorava. Outro dia, experimentei um suspiro daqueles para matar a saudade. Achei terrível, puro açúcar! Como podia gostar naquela época?

A pasta do positivo era muito comum nas escolas dos anos 80, mas lá em casa, ninguém teve e olha que isso era bem comum. As caixas de lápis de cor, minha mãe comprava de doze cores, e dividia metade de cada e azar de quem ficasse com a metade que tinha a cor branca. Nossos cadernos eram encapados com papel manilha e plástico do saco de arroz, que passávamos álcool para tirar as letras. E ficava aquele caderno bem encapado, com um plástico bem resistente. Sim, resistente. Essa é uma das palavras que nos define para as vivências dos anos 80.

Nossas posses eram poucas, mas não era preciso mandar fazer nossas tarefas escolares. Estudávamos com muito amor e quando um ficava doente, chorava para ir à escola. Desde cedo aprendemos a agradecer por tudo que tínhamos em nossa vida. Foram tempos maravilhosos! Penso nas crianças de hoje, nos valores que são passados para elas. Quero passar para as minhas filhas os valores sentimentais da minha infância, do amor e do afeto.

Nossos brinquedos eram simples, pouquíssimas roupas, mas com muito amor e carinho. Brinquedos podem fazer crianças felizes por alguns momentos, mas de nada irá adiantar se não tiverem o afeto de quem presenteou. Então, aproveite e tire esse dia ou outros dias para brincar com as crianças, ou simplesmente sair, rir conversar, comprar livros, estar com elas, pois elas precisam muito mais de presença do que presentes.
Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.
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