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20 de setembro de 2019 - 01:22
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Mariléia de Faveri em crônica: O cromossomo do amor
13/07/2019 às 20:02 | Simone Luiz Cândido
Mariléia nasceu em uma família com 10 irmãos é a 10° filha do casal João de Faveri e Placedina Santos de Faveri . Sua mãe perdeu seu primeiro filho ainda bebê, com seus 42 anos engravidou da Léia assim é chamada carinhosamente por toda família.

Ela nasceu no dia 03 de junho de 1973 no hospital em Jacinto Machado sua mãe voltou para casa com a filha caçula, momento aguardado com muita alegria por toda família.

Com o tempo sua mãe foi notando que Léia não se desenvolvia como seus outros filhos, não tinha firmeza em seu corpo não sentava e nem segurava o pescoço.

Então resolveu levar em um médico, ele a examinou e disse: “Sua filha é uma menina japonesa, ela tem uma síndrome, ela é mongoloide”. Ela ficou um pouco chateada com o jeito que o médico falou. Esse termo era usado na época para crianças com síndrome de down, algo desconhecido, pois na época não existiam exames de ultrassonografia durante a gestação.

Foi um misto de surpresa e novos desafios Léia sempre foi muito frágil desde que nasceu. Seus pais começaram a buscar informações com outros médicos, Léia precisou usar bota ortopédica, engatinhou sentada, andou com cinco anos.

Começou a estudar na APAE com 18 anos, não desenvolveu a fala, mas os pais e irmãos a entendem em tudo. Sempre foi muito amada e também mimada por todos. Até hoje ganha colo dos irmãos mais velhos, fez catequese, primeira eucaristia, crisma. Só não frequentou escola regular, pois no seu tempo não havia a inclusão.

Em março de 2019 Léia foi dama de honra do casamento da sobrinha Tânia, é muito amada por todos os sobrinhos, Sheila, João Rafael, Luíza, Tânia, Tiago, Jean, Thayse, João Paulo, Samantha, Gilberto, Mateus, Bruna. A sobrinha Luíza fez uma tatuagem em sua homenagem com a frase: "O amor não conta cromossomo". Ela amou a homenagem.

Léia gosta de música, de escrever, pintar e ir para a APAE. Às vezes faz grandes “birras”, talvez porque não fale. Mas a família entende tudo.

Aos poucos a família foi se adaptando e com muito amor sempre tiveram por Léia um carinho muito especial. Sheila De Faveri Daros sua sobrinha graduou-se em educação física, onde desenvolveu um projeto acompanhado de profissionais da área da saúde com o objetivo de conduzir para a perda de peso, pois estava com obesidade mórbida além de outras patologias como disfunção da tireoide. Obteve êxito, ela eliminou a cinco anos 19 kg e vem até hoje com menos 25 kg. O ballet foi uma grande conquista na vida de Léia.

Em dezembro de 2018 nas apresentações de fim de ano Léia participou ativamente ela faz ballet na turma de 09 a 12 anos. Assistindo o espetáculo uma mãe de uma menina com síndrome de down matriculou sua filha na escola. Léia é um grande exemplo de determinação.

Sua mãe Placedina sempre teve a preocupação de quem cuidaria de Léia se por acaso ela viesse a falecer, teve um derrame e na época passou a guarda de Léia para a irmã marlene e seu esposo Antônio Celso.

Veio a falecer dez anos depois no ano de 2008 e só depois do falecimento da mãe, Léia passou a morar com a irmã e o cunhado.

Semana passada Léia foi homenageada com um espetáculo muito especial, Movimentos do coração. Uma noite, muito especial para todos da família. Seu pai João de Faveri, sua mãe Placedina Santos de Faveri (in memória) seus irmãos Juraci de Faveri, Antônio João de Faveri, Paulo João de Faveri, Carlos de Faveri, Maria de Fátima de Faveri, João Carlos de Faveri, Marlene de Faveri, Marli de Faveri, tem muito orgulho de a Léia ter sido escolhida por Deus para a família de Faveri.

Sua irmã Marli relata: “A Leia é o melhor presente de Deus para nós, é nosso ponto de referência, e por ela que nos reunimos, fazemos festa. E por ela que fizemos tantas coisas como aniversários temáticos, árvore de natal e tantas pequenas coisas que nos fazem felizes.”

Léia tem o cromossomo do amor esse que não pode faltar, o mundo precisa de mais famílias como a família de Faveri que ama sem distinção a querida Mariléia de Faveri.
Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.
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