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Cotidiano | 20/06/2026 | 21:13

Silesia Pizzetti: Marcos Rovaris e seus amigos de infância começaram Içara

Pioneiro da colonização, Marcos Rovaris liderou a formação da Vila de Içara e impulsionou o desenvolvimento econômico e urbano da região.

Silesia Pizzetti

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Marcos Rovaris era um homem de grande liderança regional e de visão empreendedora única. Sua determinação, somada a força de trabalho de seus compatriotas bergamascos, na verdade, seus amigos de infância e vizinhos da Província de Bérgamo na Itália, foi determinante para colonização da Primeira Linha e principalmente para a formação da Vila de Içara.

Marcos Rovaris adquiriu o lote n.76 da Primeira Linha por comprar ou por troca de serviço com o governo de Estado de Santa Catarina. Este terreno corresponde ao centro de Içara, talvez Rovaris já planejava fazer ali uma área urbana e comercial, visto que a estrada de ferro estava projetada para cortar o lote colonial. Como ele mantinha uma estreita relação com o governo do estado e sabia aproveitar as oportunidades que lhe fora posta com a passagem da ferrovia, ele dividiu o grande lote em lotes urbanos menores e vendendo-os, dando início a nova vila. Ainda, aproveitou as benesses da estação ferroviária para embarcar e exportar os produtos do seu frigorífico e fábrica de banha que mantinha na Primeira Linha em sociedade com outro bergamasco, o senhor Macelo Lodetti.



As evidências históricas indicam que Marcos Rovaris organizou a ocupação da Primeira Linha do Rio sangão e da urbanização da vila de Içara, inclusive o deslocamento da igreja para baixo, no centro do seu empreendimento urbano, pois o terreno da Matriz São Donato foi doado por ele.

“imigrou para o Brasil, em 1892, com os pais, morando por pouco tempo no núcleo de Acciole de Vasconcelo, atual Cocal do Sul, como fizeram outros bergamascos. Depois transferiu-se para a Primeira Linha, juntando-se aos seus patrícios e amigos de infância, propunha a criação da pecuária e o desenvolvimento da agricultura, incentivando os colonos na criação de suínos, muito importante para o estabelecimento da povoação,” escreve Mario Belolli e José Pimentel, na Minibiografia de um pioneiro: Marcos Rovaris, 1980.

A estrada do Demboski, no centro de Içara denominada de rua Vitória, deveria existir desde o início da colonização com função de escoar a produção agrícola da Quarta Linha (Ponta do Mato) até a estrada Linha Anta que dava acesso a Jaguaruna e Tubarão, justificando a construção da Estação Ferroviária para o embarque da produção colonial e o desembarque de outras mercadores, e mais tarde de pessoas. Outra possibilidade era a de que Marcos Rovaris teria reivindicado a construção da estação em suas terras, visto que sempre foi homem bem-informado e mantinha forte influência política e negócios com o governo estadual.

Marcos Rovaris era líder entre os colonos da Primeira Linha, escolhidos por ele mesmo para a criação de suínos em cooperação com sua indústria. E não só Içara beneficiou-se do seu trabalho incansável, mas também Criciúma, da qual ele foi o superintendente, enquanto distrito de Araranguá, e o primeiro prefeito de Criciúma. Não é à toa que Coronel Marcos Rovaris é o nome a primeira e principal rua de Içara.