Canal Içara

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05 de abril de 2020 - 00:58
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Abelhas dão sinal de melhora na produtividade do mel
29/02/2008 às 11:33 | Filipe Speck | jornalagoraonline.com.br
Os favos estão cheios. Para os produtores de mel, que sofrem há três anos com a queda abrupta da produção melífera, a notícia é mais do que boa. O trabalho das abelhas está adiantado, o que significa, pelo menos, uma retomada satisfatória da produção. “Se fosse outro ano ruim, eu parava de extrair”, desabafa Alcides Rosso, presidente da Associação dos Apicultores de Içara.

A situação é realmente alarmante. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Içara perdeu, em 2006, o posto de maior produtora de mel, com uma extração bruta de apenas 170 toneladas. No relatório anterior, de 2003, quando a cidade ainda ostentava o título de “capital do mel” por ter a maior produção do país, a extração chegou a 600 toneladas.

Para piorar, os números de 2007, ainda não divulgados pelo IBGE, foram mais baixos. Dados recolhidos pela Associação mostram que a extração média foi de 4 kg por colméia. Rosso explica que esse valor representa uma redução de quase 85% do que foi produzido em 2004, último ano bom de extração. “A gente tirava uma média de 24 kg por colméia. A situação é alarmante.”

O maior vilão dos apicultores é o clima. Justamente em 2004 aconteceu o furacão Catarina, que reduziu pela metade a produção no ano posterior. “Depois de então, uma série de fatores ligados ao fenômeno complicaram mais”, relata.

Essa desaceleração do setor teve consequências políticas para os apicultores. Com a baixa movimentação econômica, a sede, que ficava próxima ao Hospital São Donato, foi desativada por falta de verbas. “Em 2005, éramos mais de 60 associados. Hoje se somarmos 35 é muito”, lamenta Rosso. Segundo o presidente, um fenômeno muito comum foi a migração de apiculores para setores vestuário, avícola e fumicultor.

Na tentativa de proteger a apicultura do município, a Prefeitura distribuiu mudas de eucalipto em 2005, o que deve começar a surtir efeito este ano. Rosso ressalta, contudo, que as abelhas estão intimamente relacionadas com o clima, e qualquer alteração pode interferir no resultado da produção.


MAIS PROBLEMAS

Mas não foram só as colméias que sofreram nos últimos anos. O processamento do mel também sentiu outro golpe. Segundo Guilherme Castagna, da empresa Minamel, um embargo europeu há dois anos afetou aproximadamente 40% dos lucros. “Tivemos que exportar para outros países, que compram por um valor menor”, diz Castagna. A Minamel, que já ganhou o título de maior exportadora de mel do Brasil, vende 90% da produção no exterior.

Uma nova decisão sombre o embargo deve sair em março. Enquanto isso, nas colméias, a boa notícia dada pelo adiantamento do trabalho das abelhas vem acompanhada de um apelo do senhor Alcides Rosso. “Se a Içara quiser voltar a ter uma produção significativa, é preciso trabalhar em conjunto e criar novos projetos.” O presidente da Associação chama a atenção de que não existe nenhum posto de venda de mel no Centro, por exemplo.
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