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07 de dezembro de 2019 - 07:20
Segurança » Desabamento dos Correios
Protesto cobra agilidade sobre tragédia
26/02/2013 às 15:53 | Lucas Lemos - lucas.lemos@canalicara.com
Quase que num piscar de olhos, o local de trabalho de Maria Glória Devilla Marcello foi reduzido a um espaço escuro. Sobre a cabeça havia cerca de 20cm de espaço. Já ao redor do corpo, restavam os escombros. Além de desmaiar, teve o braço quebrado e ao recordar a consciência ainda pensava ser um pesadelo. Mas era a mais pura realidade. Estava soterrada na estrutura de um prédio no Centro de Içara. Foram quase duas horas de agonia até ser socorrida. “Só pedia para Deus me deixar viver”, relata.

O novo julgamento no processo criminal sobre a queda dos Correios acabou adiado. Mas o protesto não. Vítimas da tragédia foram para o Fórum de Içara vestidas de preto e com uma faixa nesta terça-feira, dia 26. A mobilização envolveu algumas das pessoas que estavam na tragédia e que não foram notificadas sobre o cancelamento da audiência. Todas cobram um desfecho ao caso que se estende desde o desabamento do prédio em agosto de 2005.

“Tentamos avisar todas as testemunhas. Quem não foi notificado é porque não tinham o telefone no processo e não pôde ser localizado”, justifica a chefe do cartório Ana Cristina Mello Zanette. Nestes casos, a suspensão da audiência foi comunicada logo após procurarem uma resposta no Fórum. “Se conseguiram nos avisar da audiência, também poderiam ter avisado que não haveria mais. Era só ter ido ao Correio como já haviam feito anteriormente”, rebate Maria Glória. Além dela, continuam em atividade Ézio José Antônio, Jucinei de Souza Francisco, Jorge Marcílio Custódio e Odilon Teixeira.

“É uma falta de consideração toda esta demora. Os únicos punidos até agora foram aqueles que morreram”, avalia um dos clientes que teve o corpo arremessado para fora do prédio, Rogério José Eldebrando. Ao todo quatro pessoas perderam a vida na tragédia. Outras 11 ficaram feridas. O proprietário José Manoel Cardoso e o empreiteiro João Nelson Borges foram absolvidos. Já o engenheiro Márcio Adelar Peruchi conseguiu anular as condenações contra ele por não ter tido a oportunidade de apresentar contraprovas e o processo foi reiniciado. O julgamento está previsto para maio, após a apresentação da defesa do engenheiro.
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