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Economia | 09/07/2026 | 13:48

Exportadores tentam evitar novo tarifaço sobre o mel

Produto está entre os principais da pauta de exportação em Içara, com mais de 80% do volume negociado tendo como destino os Estados Unidos

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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A possibilidade de uma nova taxação sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos preocupa os exportadores de mel de Içara, uma vez que a medida impactaria diretamente toda a cadeia produtiva. E viria em um momento em que o segmento ainda tenta se recuperar dos efeitos do primeiro tarifaço, imposto no ano passado.

“O primeiro tarifaço ainda traz impactos, pois se juntou a um dumping que o Brasil sofre há dois anos. Tivemos a baixa dos valores pagos aos apicultores, redução da lucratividade para eles e para a indústria transformadora, o entreposto, como nós da Minamel, o que impacta negativamente toda a cadeia produtiva”, explica Guilherme Castagna, diretor da Minamel.

O dumping citado pelo executivo é uma prática desleal de mercado na qual empresas vendem produtos em outros países por preços abaixo do custo de produção ou do valor praticado no mercado interno, com o objetivo de eliminar a concorrência e dominar o mercado.

“Já houve uma redução do consumo nos Estados Unidos, que hoje representa entre 80% e 85% de toda a exportação de mel do Brasil. É uma situação muito grave, pois não tem outro mercado que possa substituir os EUA, por questões de qualidade e atratividade do nosso produto, que é o mel orgânico. Ainda estamos sofrendo com o tarifaço e a retomada da sobretaxa só tende a piorar o incentivo do consumo no exterior”, avalia o empresário.

Esforços para barrar a medida

Conforme Castagna, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), junto com um grupo de advogados, trabalha no sentido de evitar as novas tarifas. O argumento principal é de que não há produção de mel orgânico nos Estados Unidos que possa substituir a importação do mel brasileiro.

“Então, não faz sentido esse tarifaço sobre o mel. Sabemos que há uma questão política envolvida e sendo o mel um produto que, em termos de valores globais de exportação não tem o peso da carne, por exemplo, acabamos tendo um pouco menos de força ao pedir eventuais alterações no tarifaço. De qualquer forma, estamos tentando”, afirma.

Participação

Tanto em 2024 quanto em 2025, o mel natural foi o terceiro produto mais exportado por Içara, atrás apenas dos insumos para a indústria cerâmica e os reboques e semirreboques para veículos. Em 2024, o volume total negociado chegou a 3.642,87 toneladas, movimentando mais de US$ 9,6 milhões. Desse volume, 3.008,46 toneladas tiveram como destino os Estados Unidos, o equivalente a 82,58%. O restante foi para o Reino Unido, o Canadá e a Alemanha.

Em 2025, quando foi aplicado o primeiro tarifaço, de 50% sobre o mel brasileiro importado pelos EUA, o volume exportado por Içara baixou para 2.575,83 toneladas, com valor gerado superior a US$ 8.85 milhões. Desse total, 2.338,71 toneladas foram para os Estados Unidos, correspondendo a 90,79%.

Já no primeiro semestre deste ano, o mel natural ocupou a segunda posição entre os produtos mais exportados por empresas içarenses. O volume negociado soma mais de US$ 6,5 milhões e 1.880,43 toneladas, com 1.529,31 toneladas indo para os EUA (81,33% do total).

Saiba mais

O primeiro grande tarifaço do segundo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros vigorou principalmente entre 6 de agosto e 20 de novembro de 2025. Nesse período, o governo do país implementou uma sobretaxa de 50% sobre uma série de produtos do Brasil, englobando o mel.

Ao contrário de outros produtos que conseguiram isenção rápida ou foram poupados para conter a inflação nos EUA, o mel brasileiro sofreu duras consequências durante esse período, como o travamento de contêineres em portos brasileiros e o cancelamento imediato de vendas.

O setor só obteve alívio em fevereiro deste ano, quando uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a base legal utilizada por Trump (a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para aplicar aquele tarifaço, reduzindo a taxa de 50% de volta para os patamares anteriores.

No momento, o Brasil enfrenta o risco iminente de sofrer uma taxação combinada que pode chegar a 37,5% de tarifa adicional – 25% por "práticas comerciais desleais" e 12,5% por “falha em restringir a entrada de bens produzidos por trabalho análogo à escravidão”, em referência sobretudo aos produtos chineses, além dos 10% da tarifa global temporária já instituída por Trump. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs as novas barreiras e estabeleceu o prazo final para o anúncio da decisão em 15 de julho.