Canal Içara

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17 de setembro de 2021 - 04:09
Deinyffer Marangoni: Sua empresa é o Talibã?
14/09/2021 às 22:32 | Deinyffer Marangoni
Esta pergunta no título é engraçada e, no mínimo, inusitada. Talvez a sua empresa não seja, mas eu sei que, no fundo, quando você leu, lembrou de alguma empresa e, o pior, pelo lado negativo. Seja pelo clima organizacional, por não concordar com a cultura e posicionamento da empresa, por ter um diretor ditador, pela falta de liberdade ou porque a empresa auto se destrói. Independente do motivo, todos conhecemos pelo menos uma empresa que poderia ser o Talibã. E como este é um dos assuntos mais comentados no mundo nas últimas semanas, decidi fazer esta relação com o mundo dos negócios.

O Talibã não respeita as diferenças, apenas suas crenças são as que estão corretas e devem ser seguidas, e este é o maior medo dos afegãos, que é o principal público atendido por este grupo. Transformando isso para os negócios, quantos chefes (nem vou chamar de líderes) com este perfil existem no mercado? Quantos colaboradores tentam dar ideias e sugerem mudanças, mas não são ouvidos? Quantas empresas e pessoas ainda não aceitam mulheres em cargos de liderança? Ao mesmo tempo, empresas com estas características também não se abrem para o mercado e se fecham em seu próprio mundo: “sempre foi assim”; “deu certo até agora”; “pra que mudar agora?”.

Analisando por outro lado, quantas empresas não conseguem contratar colaboradores, pois as pessoas não acreditam mais nelas e têm baixa reputação no mercado, mesmo elas dizendo que se reinventaram? Não é à toa que existe a certificação GPTW - Great Place to Work, ou seja, o ranking das Melhores Empresas para se Trabalhar. E quais os motivos disso tudo? A cultura e o clima organizacional não fazem mais sentido para a maioria das pessoas. O Talibã também se mostrou flexível e moderado em alguns pontos do seu novo Governo, mas os afegãos e a comunidade internacional ainda não reconheceram a legitimidade e não aceitam a maioria das ações do grupo, pois não têm credibilidade.

Quando acontece parte disso tudo no mundo dos negócios, a empresa se blinda da criatividade, não inova, não acompanha as tendências do mercado, não ouve seus clientes e não recebe investimentos, ou seja, está fadada ao fracasso e acaba com a sua própria vida, o empreendedorismo se acaba. E você sabe quem é que tira a própria vida por conta de suas crenças limitantes? Sim, isso mesmo, o homem-bomba, prática terrorista típica dos Talibãs. Não deixe a sua empresa se transformar em um “negócio-bomba”.

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Eu duvido quem aqui não conhece uma empresa que está “desesperada” para contratar um colaborador, seja de qual área for. Também duvido quem não conhece pelo menos uma pessoa procurando trabalho. É claro que toda essa reviravolta no mundo deu uma agitada nos bastidores de qualquer negócio, mas este cenário vem muito antes da pandemia. Mas, afinal, faltam empregos ou faltam pessoas qualificadas?

Depende quem responde essa pergunta. Se você for empresário, líder ou gestor de uma empresa, dirá que falta “mão-de-obra” qualificada e alguns ainda dirão que “ninguém quer nada com nada”. Se você estiver em busca de se recolocar no trabalho ou uma nova oportunidade, talvez diga que faltam empregos.

Eu digo que não falta nenhum e nem outro. Não faltam empregos e o CAGED - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados confirma isso. Somente em Içara, foram gerados 1.177 novos empregos, sendo a segunda cidade da Região Carbonífera com maior geração de empregos, de um total de 7.629 vagas na regional. Os dados são de janeiro a julho deste ano. Também não faltam pessoas qualificadas, é só ver quantas instituições de ensino há no Extremo Sul e quantas pessoas estão passando por qualificação. Claro que, talvez, não seja qualificação técnica avançada, mas pelo menos se tem a base. Aí volta para a empresa, será que elas estão dando oportunidade para os colaboradores se qualificarem com a parte técnica e comportamental?

Mas onde é que está o “gap”, o buraco, a falha disso tudo, então? Na minha visão, é na conexão dos propósitos, dos valores e dos objetivos de cada um. Vamos mais profundo ainda, as pessoas e as empresas estão perdidas, não sabem o que querem ou o que buscam.

Isso tudo já começa com a nomenclatura. Normalmente as pessoas buscam emprego em vez de trabalho. Mas não é a mesma coisa? NÃO! Emprego é apenas uma forma de conseguir renda e é aqui que está o problema. O colaborador só busca salário, dinheiro, não tem prazer em realizar o seu ofício, não busca se desenvolver. Já o trabalho está ligado a objetivos e realizações profissionais, seguir carreira, aprender e se desenvolver. Mas voltamos à estaca zero, nem o colaborador e nem a empresa sabem o que querem ou, pior, ambos querem apenas o “dinheiro”.

A partir do momento que cada um sabe exatamente o que quer e o que busca, se definem os propósitos, valores e objetivos de cada parte. Como consequência disso, se cria uma cultura organizacional e, no caso das pessoas, elas buscarão uma empresa que se encaixe com a sua maneira de ver o mundo. Nesta relação, o colaborador é de fato colaborador, não só mais um funcionário. O dinheiro é consequência e não fim. O desenvolvimento pessoal e profissional se tornam constantes, pois todos querem atingir os mesmos objetivos para um bem maior, não apenas financeiro. O salário também é segundo plano, ou vocês nunca viram pessoas que receberam propostas maiores e não saíram de onde estavam? Isso é planejamento, propósito, carreira, desenvolvimento, cultura e clima organizacional. É tudo isso que faz a diferença e o que as pessoas estão buscando, mesmo que não saibam. É isso que as empresas precisam definir e serem agentes de transformação, não visar apenas o lucro. E isso não é mais utópico e muito menos tendência, isso está acontecendo aqui e agora!

PROGRAMA PRÁTICAS DE GESTÃO (PPG)

Um pouco mais sobre esse tema e como praticar isso dentro das empresas por meio da gestão e desenvolvimento de pessoas é o que vou falar no Programa Práticas de Gestão (PPG), que começará no próximo dia 08/09. O programa é realizado pela Associação Empresarial de Içara (ACII) e contará com oito módulos de diferentes áreas da gestão, voltadas para micro, pequenas e médias empresas dos segmentos do varejo e serviços. Mais informações e inscrições em www.aciicara.com.br.

NOTÍCIAS:
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#4 Quem são os 40 novos bilionários brasileiros no ranking 2021;
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Eu duvido quem aqui não ficou sabendo do caso Lázaro Barbosa. Pode até não acompanhar de perto, mas ficou sabendo das notícias. E como só se fala disso nessa semana, esta também é a notícia por aqui. Mas o que isso tem a ver com o seu negócio?

Em primeiro momento, nada. Mas podemos usar de modelo e levar para dentro de uma empresa, tirando uma série de aprendizados e insights. Confira:

OBJETIVO, FOCO E PERSISTÊNCIA

Foram exatos 20 dias na caçada por Lázaro. Ter foco e persistência significa saber direcionar a atenção e a concentração para as atividades que são realmente importantes neste momento, a superar obstáculos e a continuar em frente, para conquistar os objetivos. Esses três pontos não faltaram para todo o batalhão que estava à procura de Lázaro.

E na empresa? Está claro qual(is) objetivo(s) a ser(em) alcançado(s)? Toda equipe realmente está alinhada e focada para atingir os objetivos do negócio? A comunicação está clara entre todos os setores, grupos de trabalhos, CEO ou proprietário até o nível operacional? Há um planejamento bem definido com planos de ações para todas as áreas? Quando questões como estas não estão claras, é onde muitos ficam pelo caminho, deixam de acreditar e onde há desistências. E quem tem resultados satisfatórios, quem chegou lá e atingiu os objetivos sabe muito bem que nunca será fácil, mas que precisa de um norte e de muita persistência.


ESTRATÉGIA É ALMA DO NEGÓCIO

“A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota.” Essa frase é de Sun Tzu e existe há cerca de 2.500 anos. Só a estratégia quando há planejamento e que muitas vezes isso não depende apenas de você. É necessário conhecer também como o seu adversário pensa e trabalha. Foi assim que a polícia buscou todas as informações sobre Lázaro e percebeu que havia um ritual padrão quando ele atacava suas vítimas e estava em fuga. Também foi assim que a polícia chegou na casa da ex-esposa e sogra, na qual o bandido estava perto, antes de ser capturado. Mas a estratégia de Lázaro também funcionou por um bom tempo, afinal, andar pelos rios e não deixar rastros foi uma boa sacada.

Na empresa não basta planejar e ser persistente, tem que ter muita estratégia e um plano de ação efetivo, evitando erros e procurando ser o mais eficaz possível. Já dizia o antigo General Greco Péricles “O que eu temo não é a estratégia do inimigo, mas os nossos erros.” Muitas vezes na empresa - e neste caso do Lázaro - errar significa a morte.

FERRAMENTAS E PESSOAS CERTAS

Pessoas certas, na hora certa, no lugar certo. Mas para isso, também é necessário ferramentas. No caso de Lázaro tiveram mais de 270 policiais envolvidos, que contou ainda com drones, helicópteros, rádios comunicadores, cães farejadores e até um caminhão com uma plataforma de observação elevada para fazer videomonitoramento na operação de busca e apreensão. Mesmo com tudo isso, ainda levou 20 dias para conquistar o objetivo, imagina sem?

Na sua empresa não é diferente. Se não tiver as pessoas certas, com as ferramentas necessárias, você até pode atingir os seus objetivos, mas vai demorar ainda mais. Invista nas pessoas, em tecnologias, invista tempo, dedicação e no que for necessário para ter o sucesso que espera, afinal, nada cai do céu.

O RESULTADO NUNCA VAI AGRADAR A TODOS

Uma coisa é certa, você nunca irá agradar todo mundo, ainda mais em um mundo cada vez mais polarizado. Mesmo quando o resultado é o que a maioria deseja, mesmo que você ache que esteja 100% certo e não há falhas no processo, não adianta, sempre vão ter os contras, os críticos e o outro lado de ver as coisas. Procure na internet ou nas redes sociais e veja os debates se a polícia estava certa ou não, em agir como agiu com Lázaro Barbosa.

Mas se você estiver em uma situação de conflito na empresa, não se preocupe, volte ao primeiro ponto deste artigo (OBJETIVO, FOCO E PERSISTÊNCIA) e faça uma autoanálise respondendo às seguintes perguntas: Vai de encontro com o meu propósito e o da minha empresa? Reflete os meus valores? Quais valores? Vai fazer diferença positiva para eu, minha equipe, meus clientes e para a minha comunidade?

Se você tiver respostas satisfatórias para todas essas perguntas, vá em frente com o que você pensa, trace seus objetivos, foque, não desista e mais que tudo, quando conquistar as metas, não deixe de celebrar com a sua equipe por aquela conquista e em tudo que vocês acreditam, os outros achando certo ou não. E foi assim que o caso Lázaro Barbosa encerrou, com a celebração dos policiais envolvidos no caso. E é assim que encerro este artigo, celebrando você, leitor, por chegar até aqui. Obrigado! :)


NOTÍCIAS:
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Você já deve ter visto que nesta semana acontecerá o SEI 2021 - Seminário de Empreendedorismo e Inovação. O evento acontecerá nos dias 26 e 27 de maio, quarta e quinta-feira, das 19h às 22h e será realizado de forma online. Tive a oportunidade de conversar com todos os palestrantes do evento, pois estou no staff organizador desta terceira edição, junto com a Associação Empresarial de Içara (ACII).

Já passaram por nosso palco o vocalista da banda Nenhum de Nós, Thedy Correa, o coordenador de inovação da FACISC - Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina, recebemos os cases do Beto Carrero World, Pizzaria Cantinho das Massas e o presidente de uma renomada franquia contando sua trajetória, além da coach Leticia Zanini e também de uma palestra minha.

Nesta edição - alerta de spoiler - receberemos os cases da Tati Albino Modeladores, que vende seu produto para mais de 30 países, e da Signora Estilo e Decor, com a fundadora, Daiane Nazario, contando sobre a história da marca e de como suas almofadas foram parar na casa mais vigiada do Brasil, sim do BBB. Este painel será sobre Vida & Estilo e são duas histórias imperdíveis, mas não vou contar a palestra agora né?

No painel Turismo & Desenvolvimento Local, receberemos o case do Parque Uniprais, que terá seu gerente administrativo, Alfredo Augusto Kuhn, apresentando a história do empreendimento e também do desenvolvimento da Barra Sul, em Balneário Camboriú. Junto com Alfredo estará Leandro Cardoso, administrador da Fluss Haus, que contará o case da empresa e também falará do desenvolvimento de São Martinho. Um dos pontos altos da palestra de Leandro será a revelação da “magia Fluss Haus”, ou seja, o que faz a empresa fazer tanto sucesso e se diferenciar no mercado da gastronomia e turismo.

Como palestra âncora e encerrando o primeiro dia do evento, teremos Barbara Bono. Ela já foi head de conteúdo do Rock in Rio, Jeep e Fiat, ou seja, tem muito conteúdo bom para nos contar (ba dum tsss)! Eu assisti ela no RD Summit 2019 e foi um show, muitas informações e insights importantes poderemos tirar dessa palestra para aproximar a nossa marca, a nossa empresa, com o público-alvo.

Por fim e encerrando o SEI 2021, receberemos Iago Maciel, que é gerente de inovação da Ambev. Ele vai contar um pouco da sua trajetória até chegar na Ambev e como é o processo criativo e de transformação digital da maior cervejaria do mundo, nos mostrando ferramentas práticas de inovação e que é possível, sim, inovar, tanto nos grandes players do mercado quanto nos pequenos negócios, quebrando os paradigmas para continuar fazendo história.

Eu queria contar muito mais das palestras, mas não posso, se não perde a graça! Além disso, os contratos não deixam rsrs. Mas se você se interessou nos cases e temas, não deixe de se inscrever e participar do evento. O SEI 2021 será online e totalmente gratuito, inovando também no formato, pois será transmitido de um estúdio profissional, para trazer um pouco daquela energia e experiência vivenciada em um evento presencial. Para ver a programação completa e garantir o seu lugar, acesse: seinovacao.com.br. Espero ver você conectado com a gente. =D


Sou apaixonado pelo associativismo, mais que isso, eu faço parte, pois trabalho em uma Associação Empresarial e decidi lançar esta entrevista especial como inspiração. Como case, trago a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), que completou 35 anos de fundação em abril e é a principal representante do empreendedorismo inovador em Santa Catarina.

A Acate representa mais de 1,2 mil associados nos 13 polos de inovação e tecnologia de Santa Catarina, gerenciando uma rede de Centros de Inovação em Florianópolis e outras regiões do estado. Também possuí escritórios em São Paulo e em Boston (EUA). A missão da associação é apoiar o ecossistema local de ponta a ponta, das startups às empresas de grande porte, gerando conexões que fortalecem o setor de tecnologia no estado.

Para falar sobre a Acate e nos contar o que representa o associativismo na história de sucesso da entidade, conversei com o atual presidente, Iomani Engelmann Gomes:

1. Trinta e cinco anos de história e vocês já falavam em tecnologia e inovação. Além do pioneirismo, o que fez a ACATE se tornar este case de sucesso?

Desde a sua criação, a ACATE se preocupou em ser uma rede de suporte, capacitação e inspiração aos empreendedores. Por meio de seus programas estratégicos, como a incubadora MIDITEC, criada há mais de 20 anos e premiada por duas vezes como umas das 5 melhores do mundo, já se formaram centenas de empresas e milhares de postos de trabalho foram gerados. Outros programas, como as Verticais de Negócios, conecta empreendedores em seus respectivos segmentos e ajudam a fomentar novos projetos e iniciativas.

A partir dos anos 2000, a entidade começou a ganhar força com o crescimento do setor de tecnologia no estado e o surgimento de uma nova geração de empreendedores. Nesse contexto, a entidade foi crescendo e atendendo às novas demandas do mercado. Um exemplo mais recente é a criação do LinkLab, o primeiro laboratório aberto de inovação do estado que coloca, lado a lado, grandes empresas e startups. Outro é a Rede de Investidores Anjo (RIA SC), que já conectou dezenas de pessoas interessadas em investir recursos em empresas inovadoras, auxiliando também empreendedores a buscar recursos e conexões para expandir seus negócios.

Além disso, a ACATE tem participação ativa junto ao poder público na busca por soluções e projetos que qualifiquem o ambiente empreendedor e de negócios em Santa Catarina.


2. Na visão da ACATE, qual a importância do associativismo?

Sempre entendemos que juntos somos mais fortes, que quando um cresce, todos crescem, e esse pensamento faz parte do nosso sucesso de gestão. Por isso trabalhamos tanto para desenvolver o ecossistema do estado em todas as regiões, oferecendo diferentes programas para os diferentes estágios das empresas.

Um grande exemplo são as Verticais de Negócios, nas quais empresas do mesmo segmento, muitas deles concorrentes no mercado, trabalham juntas para fortalecer o ecossistema.


3. E qual a importância de uma pessoa ou empresa estar ligado a um ecossistema de inovação?

No ecossistema de inovação, os participantes têm acesso a uma série de programas, mentorias, fazem network, o que possibilita o desenvolvimento dos negócios de forma muito mais rápida. Mais do que uma entidade associativa, o ecossistema é uma rede de suporte, capacitação e inspiração aos empreendedores.


4. Quem pode fazer parte? E como as empresas de Içara e do Extremo Sul de Santa Catarina podem se conectar com o ecossistema de inovação da ACATE?

Para uma empresa se tornar associada à ACATE, basta atender aos seguintes critérios: ter CNPJ constituído em Santa Catarina e ter registrado no cartão CNPJ pelo menos uma das atividades (CNAE) cadastradas na área de tecnologia.

Além de fazer parte do maior ecossistema de inovação e tecnologia do estado e da Instituição com maior representatividade do setor de tecnologia, é possível ainda contar com condições especiais na contratação de diversos serviços e benefícios e acesso aos diversos programas estratégicos que podem gerar negócios, oportunidades e crescimento.

A ACATE conta com 10 polos regionais espalhados pelo estado de Santa Catarina. Na região Sul, estão 7,7% do total de empresas de tecnologia, que representam 5,5% do faturamento do setor, segundo o Observatório ACATE. A região tem apostado na integração entre suas principais vocações econômicas (cerâmica e mineração de carvão) e no apoio aos novos negócios inovadores. A conexão da ACATE na região é feita pelo Núcleo de Base Tecnológica da Associação Comercial e Industrial de Criciúma (ACIC).


5. Quais barreiras as empresas “tradicionais” precisam quebrar para promoverem um ambiente de transformação inovadora e se adaptarem aos novos cenários? E como fazer isso?

Acredito que o primeiro passo é as empresas tradicionais entenderem que o sucesso do passado não garante o sucesso do futuro. Muitas vezes a posição do mercado e o êxito que a empresa teve faz com que ela entenda que a inovação não é necessária, porém isso não é real devido às constantes transformações que o mundo está passando. Outro ponto é a alta gestão conseguir se adaptar estando próximos dos ecossistemas de inovação, entendendo toda disrupção que tecnologia e novos modelos de negócio estão impactando nas indústrias e nos negócios tradicionais. É um ambiente muito rico a troca nesses ambientes.

Além disso, as empresas tradicionais devem olhar o ecossistema como um aliado. A tecnologia e a transformação digital são dinâmicas de mercado que estão presentes em todas as cadeias produtivas gerando valor.

Um exemplo é o nosso programa de inovação aberta LinkLab, que aproxima médias e grandes empresas com startups que possam acelerar o processo de inovação dessas empresas e ao mesmo tempo dar às startups uma grande oportunidade de acelerar sua participação em grandes mercados. Estas grandes empresas possuem os recursos, mas muitas vezes têm dificuldades em promover inovação. Com o apoio do time de especialistas do LinkLab, são desenvolvidos diferentes tipos de projetos que são acompanhados ao longo do tempo.


6. Rumo aos 40, 50 e, por que não, 70? Qual a visão e os projetos futuros da ACATE para continuar fazendo história?

A ACATE está num processo de consolidação para ajudar a tornar Santa Catarina um estado ainda mais empreendedor, tendo ecossistemas fortalecidos em todas as regiões. Hoje já vemos o desenvolvimento regional, mais ainda com uma assimetria de maturidade. Nos próximos anos vamos ver uma homogeneidade maior, com uma maturidade maior em todas as regiões, com mais projetos, centros de inovação e iniciativas.

Em outra frente, também estamos batalhando para que algumas engrenagens do ecossistema se completem, com a criação de fundos locais para mais investimentos nas empresas do ecossistema. Outro ponto é a formação continuada de profissionais do setor, que já é um grande gargalo em todo o Brasil. A formação é fundamental tanto para as pessoas que querem ingressar no meio da tecnologia, como também para os empreendedores e futuros empreendedores terem aqui uma escola de negócios de primeira linha.

Outro ponto importante é manter a chama do associativismo forte, entender que todos juntos somos mais fortes, e o pensamento coletivo é o que fez e faz da ACATE um sucesso de gestão.


7. Deixe uma mensagem final para quem pensa em empreender, inovar, e/ou para quem já tem o seu próprio negócio, mas precisa se reinventar para continuar no mercado.

Acredito que a mensagem é entender que empreender significa realmente aprender. Na minha opinião, uma das habilidades necessárias é aprender a reaprender. Entender também que a inovação não está ligada somente com “rocket science”, ou seja, coisas extremamente complexas. Muitas vezes novos modelos mentais, modelos de negócios, combinações de coisas que já existem fazem com que a inovação aconteça. Então esse estigma de que a inovação é somente para startups ou pessoas jovens, não existe.

O empreendedor precisa estar sempre atento, olhar a mesma situação do seu negócio com outro ângulo e permitir que outras pessoas e outras empresas possam contribuir, sem ficar preocupado com as críticas que podem vir. Eu acho que grande parte do processo de inovação e de reinvenção acontecem justamente nesse olhar externo que ecossistemas, startups, empreendedores e executivos de outras áreas e outras empresas podem trazer para o negócio. Esteja aberto para isso, que pode fazer com que novos insights surjam.


Deinyffer Marangoni é formado em Administração, atua como executivo da Associação Empresarial de Içara e docente na Faculdade do Vale do Araranguá.